Viagem ao País de Tropicana: A Quinta Viagem de Gulliver – Luís Carlos Silva Eiras

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Os habitantes de Tropicana são um povo cortês e generoso; e, embora alguns não sejam destituídos de alguma dose de insolência peculiar a todos os países tropicais, excedem-se no trato aos estrangeiros, sobretudo os que são favorecidos pela Corte, o que tem dado deles a ideia de um povo servil e desprovido de personalidade.

Entretanto, não possuíam o dinamismo que, segundo um grande navegador meu amigo, era possível se ver na Índia, pois se em Tropicana essa classe de pessoas vivia sempre no chão, naquele país asiático era possível vê-las caindo.

O governo de Tropicana sofria do mesmo mal que aflige a Administração Celeste: no dizer de um herege, Deus, não obstante sua infinita bondade e competência, seus auxiliares diretos – os anjos, os arcanjos, querubins e serafins – são todos canalhas.

Era entre esses oposicionistas que o rei recrutava seus melhores e mais fiéis colaboradores, pois tão logo galgavam alguma posição de mando, seja de uma complexa organização real, seja de uma simples representação estudantil, tornavam-se implacáveis algozes, superando em muito as melhores expectativas de Sua Majestade.

E quanto ao seu glorioso exército era, para todo o sempre, intocável tal e qual o hímen da Virgem ou o ácido sulfúrico.

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