Um estranho em Goa – José Eduardo Agualusa

Um estranho em Goa – José Eduardo Agualusa

“Uma vez uma jovem jornalista quis saber por que é que eu escrevia. (…) Podia ter respondido qualquer coisa (…) mas decidi pensar um pouco, como se a pergunta fosse séria, e para minha própria surpresa encontrei um bom motivo: ‘escrevo porque quero saber o fim’. Começo uma história e depois continuo a escrever porque tenho que saber como termina. Foi também por isso que fiz esta viagem. Vim à procura de um personagem. Quero saber como termina a história dele”. Assim começa a saga do narrador do romance Um estranho em Goa, obra do escritor angolano José Eduardo Agualusa, relançada pela Gryphus Editora com capa com nova programação visual e adequada às normas do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Para conceber Um estranho em Goa, o autor passou alguns meses na antiga possessão portuguesa na Índia. Lá, captou todas as particularidades de uma cultura que mistura a herança portuguesa e a inglesa com a do povo hindu. O local é apenas um dos cenários de colonização portuguesa no qual o romance é ambientado. Agualusa ainda retrata no livro – em tempos diferentes – a Angola à beira da guerra pela independência durante o processo de descolonização e um Brasil selvagem e amazônico pouco conhecido até mesmo pelo leitor brasileiro.

Agualusa cria um narrador que é seu alter ego: José, assim como o primeiro nome do escritor, é um jornalista que procura descobrir o paradeiro do ex-militar e agente secreto angolano Plácido Domingo e cujo percurso se espalha por três continentes e localidades de culturas tão diferentes, mas unidos por um mesmo idioma. Depois do doloroso processo de descolonização na Angola, o qual se seguiu uma sangrenta guerra civil, Domingo busca refúgio no Brasil, na selva amazônica, em meio a tribos indígenas. Anos depois, José segue pistas que o levam a Goa, último paradeiro conhecido do militar.

Enquanto busca reconstituir a história de Plácido Domingo, o jornalista também vai construindo sua própria narrativa, povoada de cheiros, cores e personagens únicos, como o motorista de táxi Salazar, ou Sal, que considera seu homônimo mais conhecido, um grande português. Há Enoque, o livreiro, que se torna fonte de informação para o jornalista e escritor. Também faz parte deste rol de tipos o proprietário do Grande Hotel Oriente Pedro Dionísio, que se torna seu amigo. É por meio de Pedro Dionísio – e dos interesses amorosos de José, Lailah e Lili – que o jornalista tem contato com um mundo misterioso em Goa: o do sincretismo religioso, que mistura santos católicos com divindades hindus e mentes que abarcam todo o tipo de misticismo, abrindo espaço para um clandestino e perigoso mercado de comércio de relíquias.

Em Um estranho em Goa, Agualusa fez um excelente apanhado da vivência goesa, captando o complexo holograma dos sentimentos históricos e atuais da vida nessa província indiana. É no mínimo curioso o que consegue transmitir acerca dos luso-descendentes de Goa, num misto de literatura de viagens com uma romance de aventura.

Um estranho em Goa – José Eduardo Agualusa“Uma vez uma jovem jornalista quis saber por que é que eu escrevia. (…) Podia ter respondido qualquer coisa (…) mas decidi pensar um pouco, como se a pergunta fosse séria, e para minha própria surpresa encontrei um bom motivo: ‘escrevo porque quero saber o fim’. Começo uma história e depois continuo a escrever porque tenho que saber como termina. Foi também por isso que fiz esta viagem. Vim à procura de um personagem. Quero saber como termina a história dele”. Assim começa a saga do narrador do romance Um estranho em Goa, obra do escritor angolano José Eduardo Agualusa, relançada pela Gryphus Editora com capa com nova programação visual e adequada às normas do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Para conceber Um estranho em Goa, o autor passou alguns meses na antiga possessão portuguesa na Índia. Lá, captou todas as particularidades de uma cultura que mistura a herança portuguesa e a inglesa com a do povo hindu. O local é apenas um dos cenários de colonização portuguesa no qual o romance é ambientado. Agualusa ainda retrata no livro – em tempos diferentes – a Angola à beira da guerra pela independência durante o processo de descolonização e um Brasil selvagem e amazônico pouco conhecido até mesmo pelo leitor brasileiro.

Agualusa cria um narrador que é seu alter ego: José, assim como o primeiro nome do escritor, é um jornalista que procura descobrir o paradeiro do ex-militar e agente secreto angolano Plácido Domingo e cujo percurso se espalha por três continentes e localidades de culturas tão diferentes, mas unidos por um mesmo idioma. Depois do doloroso processo de descolonização na Angola, o qual se seguiu uma sangrenta guerra civil, Domingo busca refúgio no Brasil, na selva amazônica, em meio a tribos indígenas. Anos depois, José segue pistas que o levam a Goa, último paradeiro conhecido do militar.

Enquanto busca reconstituir a história de Plácido Domingo, o jornalista também vai construindo sua própria narrativa, povoada de cheiros, cores e personagens únicos, como o motorista de táxi Salazar, ou Sal, que considera seu homônimo mais conhecido, um grande português. Há Enoque, o livreiro, que se torna fonte de informação para o jornalista e escritor. Também faz parte deste rol de tipos o proprietário do Grande Hotel Oriente Pedro Dionísio, que se torna seu amigo. É por meio de Pedro Dionísio – e dos interesses amorosos de José, Lailah e Lili – que o jornalista tem contato com um mundo misterioso em Goa: o do sincretismo religioso, que mistura santos católicos com divindades hindus e mentes que abarcam todo o tipo de misticismo, abrindo espaço para um clandestino e perigoso mercado de comércio de relíquias.

Em Um estranho em Goa, Agualusa fez um excelente apanhado da vivência goesa, captando o complexo holograma dos sentimentos históricos e atuais da vida nessa província indiana. É no mínimo curioso o que consegue transmitir acerca dos luso-descendentes de Goa, num misto de literatura de viagens com uma romance de aventura.

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