Um Diário Russo – Anna Politkovskaya

Um Diário Russo – Anna Politkovskaya

A jornalista Anna Politkovskaya nunca mediu palavras para criticar o governo de Vladimir Putin, o ex-diretor de assuntos externos da KGB eleito à presidência da Federação Russa em 2000 e, novamente, em 2004. O tom de denúncia usado durante anos no jornal em que trabalhava em Moscou não é diferente das anotações que geraram “Um diário russo”, livro recém-lançado pela Editora Rocco no Brasil. Anna reuniu histórias, relatos e depoimentos em seu diário que mostram a verdadeira cara do governo de Putin.
O diário está dividido em três partes. Na primeira, Anna acompanha os últimos momentos do primeiro mandato de Putin e coloca o leitor a par de todas as falcatruas que geraram a reeleição. Desde a falta de candidatos dispostos ao confronto com Putin até o fim da candidatura de muitos que pretendiam concorrer ao governo e tentar dar um novo rumo à Rússia. A vitória de Putin foi esmagadora: 71,22% dos votos. Logo depois, Anna descreve: “Uma terrível sensação de tédio pairou sobre nossas cidades e aldeias depois da reeleição de Putin”.
Em um segundo momento, Anna mostra a tragédia ocorrida no estado russo da Inguchétia, vizinho da Chechênia. Na porta do quarto da jornalista, formam-se filas de pessoas que querem contar que os filhos estão desaparecidos e que as pessoas estão sendo mortas como galinhas. Diferente da postura de outros jornalistas, que temem por seus empregos, Anna escreve o que vê, relata o que os envolvidos lhe contam. A reação de quem lê é, em muitos casos, praticamente nula, como se nada acontecesse. O medo é mais forte que a vontade de confrontar a bruta realidade.
As mortes são relatadas uma após a outra. A lista de civis, soldados e jornalistas aumenta de capítulo em capítulo. Anna relembra da atrocidade terrorista ocorrida na Primeira Escola da Cidade de Beslan, durante a qual ela tentou intervir, mas foi envenenada e precisou ser internada. Além disso, cita a tragédia passada no Teatro Dubrovka. Ambas relacionadas à guerra pela independência da Chechênia, local que Anna conheceu a fundo e levou para os jornais do mundo inteiro.
A política, as guerras, as injustiças praticadas no governo de Putin seguem sendo relatadas até o último capítulo. Ao longo de todo o período em que faz as anotações, Anna não fala sobre si mesma, nunca expõe fatos pessoais, prende-se à história da Rússia. O livro começou a ser editado antes da morte da jornalista e há algumas observações feitas pela própria Anna, que também oferece um glossário, para o melhor entendimento de termos e a identificação de personagens não tão conhecidos no cenário mundial. “Um diário russo” tem uma introdução escrita pelo jornalista Jon Snow, que ressalta o compromisso da jornalista russa com a obtenção da verdade – busca que acabou gerando a própria morte. Anna foi assassinada a tiros em outubro do ano passado.

Um Diário Russo - Anna PolitkovskayaA jornalista Anna Politkovskaya nunca mediu palavras para criticar o governo de Vladimir Putin, o ex-diretor de assuntos externos da KGB eleito à presidência da Federação Russa em 2000 e, novamente, em 2004. O tom de denúncia usado durante anos no jornal em que trabalhava em Moscou não é diferente das anotações que geraram “Um diário russo”, livro recém-lançado pela Editora Rocco no Brasil. Anna reuniu histórias, relatos e depoimentos em seu diário que mostram a verdadeira cara do governo de Putin.
O diário está dividido em três partes. Na primeira, Anna acompanha os últimos momentos do primeiro mandato de Putin e coloca o leitor a par de todas as falcatruas que geraram a reeleição. Desde a falta de candidatos dispostos ao confronto com Putin até o fim da candidatura de muitos que pretendiam concorrer ao governo e tentar dar um novo rumo à Rússia. A vitória de Putin foi esmagadora: 71,22% dos votos. Logo depois, Anna descreve: “Uma terrível sensação de tédio pairou sobre nossas cidades e aldeias depois da reeleição de Putin”.
Em um segundo momento, Anna mostra a tragédia ocorrida no estado russo da Inguchétia, vizinho da Chechênia. Na porta do quarto da jornalista, formam-se filas de pessoas que querem contar que os filhos estão desaparecidos e que as pessoas estão sendo mortas como galinhas. Diferente da postura de outros jornalistas, que temem por seus empregos, Anna escreve o que vê, relata o que os envolvidos lhe contam. A reação de quem lê é, em muitos casos, praticamente nula, como se nada acontecesse. O medo é mais forte que a vontade de confrontar a bruta realidade.
As mortes são relatadas uma após a outra. A lista de civis, soldados e jornalistas aumenta de capítulo em capítulo. Anna relembra da atrocidade terrorista ocorrida na Primeira Escola da Cidade de Beslan, durante a qual ela tentou intervir, mas foi envenenada e precisou ser internada. Além disso, cita a tragédia passada no Teatro Dubrovka. Ambas relacionadas à guerra pela independência da Chechênia, local que Anna conheceu a fundo e levou para os jornais do mundo inteiro.
A política, as guerras, as injustiças praticadas no governo de Putin seguem sendo relatadas até o último capítulo. Ao longo de todo o período em que faz as anotações, Anna não fala sobre si mesma, nunca expõe fatos pessoais, prende-se à história da Rússia. O livro começou a ser editado antes da morte da jornalista e há algumas observações feitas pela própria Anna, que também oferece um glossário, para o melhor entendimento de termos e a identificação de personagens não tão conhecidos no cenário mundial. “Um diário russo” tem uma introdução escrita pelo jornalista Jon Snow, que ressalta o compromisso da jornalista russa com a obtenção da verdade – busca que acabou gerando a própria morte. Anna foi assassinada a tiros em outubro do ano passado.

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