Sombras de Reis Barbudos – José J. Veiga

Sombras de Reis Barbudos – José J. Veiga

A principio ótima fonte de emprego, a Companhia Melhoramentos de Taitara – ou simplesmente Companhia – transforma-se, depois da saída de seu fundador, o rico e generoso tio Baltazar, em senhora absoluta da cidade e seus habitantes, tirando-lhes toda liberdade de agir. Quando a vida toma-se insuportável, homens surgem e desaparecem voando livremente nos céus. Mas talvez este fato, embora pareça absurdo, seja o sinal de salvação para o lugarejo anônimo que vive aqueles dias de terrível opressão. Este símbolo de otimismo no final de Sombras de reis barbudos alivia assim a sucessão de acontecimentos assustadores que percorrem as páginas do livro. A opressão, a manipulação de vidas humanas e ao mesmo tempo o conformismo, a passividade e o medo de reagir diante daquilo que parece absurdo são uma constante na temática de José J. Veiga. Em A hora dos ruminantes, por exemplo, publicado em 1966, relata como um grupo de pessoas estranhas se instala nos arredores de Manarairema. Parece que vão trazer progresso, mas ninguém fica sabendo de nada. Os dias passam e os desconhecidos se mantêm isolados, não se abrem com ninguém. De um dia para outro a cidade é invadida por cachorros; mal estes se vão, surgem manadas de bois que a ocupam progressivamente sem deixar o mínimo espaço vazio. O ambiente se torna sufocante, a vida é paralisada. Embora não se esperasse isto deles, sabe-se que a causa são os desconhecidos. Mas eles não aparecem. Agem por meio de seus agentes, os cães e os bois. Nas duas histórias, semelhantes no enredo e nas lições, vemos descrito um método de dominação que tem muito a ver com o que acontece ao nosso redor. Há forças que nos influenciam indiretamente (através da pressão econômica e da propaganda política, por exemplo) e limitam nossa liberdade, nossa maneira de pensar e de amar.

Sombras-de-Reis-Barbudos-José-J.-VeigaA principio ótima fonte de emprego, a Companhia Melhoramentos de Taitara – ou simplesmente Companhia – transforma-se, depois da saída de seu fundador, o rico e generoso tio Baltazar, em senhora absoluta da cidade e seus habitantes, tirando-lhes toda liberdade de agir. Quando a vida toma-se insuportável, homens surgem e desaparecem voando livremente nos céus. Mas talvez este fato, embora pareça absurdo, seja o sinal de salvação para o lugarejo anônimo que vive aqueles dias de terrível opressão. Este símbolo de otimismo no final de Sombras de reis barbudos alivia assim a sucessão de acontecimentos assustadores que percorrem as páginas do livro. A opressão, a manipulação de vidas humanas e ao mesmo tempo o conformismo, a passividade e o medo de reagir diante daquilo que parece absurdo são uma constante na temática de José J. Veiga. Em A hora dos ruminantes, por exemplo, publicado em 1966, relata como um grupo de pessoas estranhas se instala nos arredores de Manarairema. Parece que vão trazer progresso, mas ninguém fica sabendo de nada. Os dias passam e os desconhecidos se mantêm isolados, não se abrem com ninguém. De um dia para outro a cidade é invadida por cachorros; mal estes se vão, surgem manadas de bois que a ocupam progressivamente sem deixar o mínimo espaço vazio. O ambiente se torna sufocante, a vida é paralisada. Embora não se esperasse isto deles, sabe-se que a causa são os desconhecidos. Mas eles não aparecem. Agem por meio de seus agentes, os cães e os bois. Nas duas histórias, semelhantes no enredo e nas lições, vemos descrito um método de dominação que tem muito a ver com o que acontece ao nosso redor. Há forças que nos influenciam indiretamente (através da pressão econômica e da propaganda política, por exemplo) e limitam nossa liberdade, nossa maneira de pensar e de amar.

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