Serena – Ian McEwan

Serena – Ian McEwan

Desde o sucesso do romance Reparação, a expectativa gerada por um lançamento de Ian McEwan é sempre imensa. Serena pode ser o livro que mais corresponde a essa expectativa, não só por se tratar mais uma vez de uma personagem feminina que revê um momento histórico relevante (aqui, o começo da década de 70), mas, sobretudo, por permitir que o leitor reviva a discussão sobre os limites da literatura como reelaboração da realidade.

Desde o sucesso do romance Reparação, a expectativa gerada por um lançamento de Ian McEwan é sempre imensa. Serena pode ser o livro que mais corresponde a essa expectativa, não só por se tratar mais uma vez de uma personagem feminina que revê um momento histórico relevante (aqui, o começo da década de 70), mas, sobretudo, por permitir que o leitor reviva a discussão sobre os limites da literatura como reelaboração da realidade.

Ao ser contratada pelo MI5, o Serviço Secreto Britânico, a protagonista Serena se vê como participante de uma mentira cujo objetivo é fomentar a criação de uma ficção. Isso porque ela é incumbida de estabelecer contato com um escritor a quem não pode contar que é uma espiã, nem que o dinheiro que ele passará a receber virá do Estado. Mas o contexto de toda essa armação é uma guerra muito real, num período bastante violento da história da Inglaterra, especialmente por causa da atividade do IRA.
E, para Serena, o caso envolve ainda sua vida pessoal, tanto no que se refere a seu antigo amante, que a introduziu no MI5, quanto no que se refere ao escritor que é vítima do ardil, por quem acaba se apaixonando. Ela é, portanto, agente e vítima, personagem e criadora, num romance em que todos esses papéis são questionados com fervor.
Ora, ao conhecermos a ficção de Tom Haley, o escritor que não sabe que está na folha de pagamento da Inteligência Britânica, já notamos essa curiosa relação entre o real e o fictício, mediada pelo criador. Mas será apenas quando concluirmos a leitura de Serena que teremos a verdadeira dimensão do grau que atingiu essa fusão, tanto na história que estamos lendo quanto na nossa relação com o livro e seus personagens.
A literatura experimental, questionadora, pode adotar várias máscaras. Nesse romance, Ian McEwan a veste nos trajes mais discretos e, talvez por isso mesmo, mais eficientes.

18 comentários em “Serena – Ian McEwanAdicione o seu →

  1. como eu baixo? não aparece link nenhum. Nem aqui nem no epuBr.

    por favor, me ajuda. queria muito ler esse livro.

    mesmo sem conseguir baixar, agradeço por todos os outros que consegui.

  2. Um dos melhores livros que li neste ano. Ian McEwan é um escritor brilhante e conta uma história dentro de várias outras histórias, fazendo a personagem virar personagem da trama de escritor. O livro parece ser de espionagem, mas não é só isso. É uma metaliteratura, ou seja, uma literatura que se faz dentro de outra literatura. O fina do livro, o capítulo final, é sensacional.

    Ian McEwan faz literatura de altíssimo nível. Se continuar assim, ainda ganhará o nobel.

    Quem ainda não leu deveria ler o mais urgente.

  3. Acabei de ler e super recomendo. Como o próprio Ian McEwan contou o maior spoiler do livro na Flip, eu não tive aquela surpresa com o final, até porque dá para prever algo pelo próprio enredo. Mesmo assim eu gostei muito, com toda certeza um dos melhores livros que li esse ano. Sou uma grande fã do autor.

  4. livro pouco objetivo, bem descritivo. me decepcionei por nao ser um livro sobre espionagem (é um livro sobre espia, nao espionagem), mas é bom pra quem gosta do genero e estilos parecidos com o do autor

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