Sem Olhos em Gaza – Aldous Huxley

Sem Olhos em Gaza – Aldous Huxley

O título deste romance deriva de um verso de John Milton (1608-1674) – um poeta cego – que na tragédia Samson Agonistes descreve a personagem bíblica Sansão como “sem olhos em Gaza, no moinho com os escravos”. Huxley escolhe esse verso como epígrafe e título de seu romance numa alusão ao tema da obra, que é um retrato sem contemplações da espécie humana, aterrador e fascinante pela vaidade e pela alienação transparentes em sua conduta e valores. O cenário eleito por Huxley para este contundente estudo da cegueira do homo sapiens é a alta sociedade inglesa, entre o início do século XX e a década de 1930, onde se mesclam aristocratas decadentes, novos-ricos, intelectuais pretensiosos em meio a arrivistas e boêmios. Contra esse pano de fundo movimenta-se a personagem central, Anthony Beavis, um privilegiado a quem as circunstâncias permitiram gozar de autonomia de pensamento, afluência econômica e ausência de laços afetivos. Sem qualquer esforço moral, Beavis consegue atingir a independência de julgamento de um filósofo e a capacidade de renúncia de um santo. Contudo, essa é uma liberdade fácil, que Huxley reprova. Sua intenção é mostrar que não é de forma alguma a verdadeira liberdade, e que a indiferença filosófica e o desprendimento de seu herói nada têm a ver com os do legítimo pensador ou do homem de bem.

O título deste romance deriva de um verso de John Milton (1608-1674) – um poeta cego – que na tragédia Samson Agonistes descreve a personagem bíblica Sansão como “sem olhos em Gaza, no moinho com os escravos”. Huxley escolhe esse verso como epígrafe e título de seu romance numa alusão ao tema da obra, que é um retrato sem contemplações da espécie humana, aterrador e fascinante pela vaidade e pela alienação transparentes em sua conduta e valores. O cenário eleito por Huxley para este contundente estudo da cegueira do homo sapiens é a alta sociedade inglesa, entre o início do século XX e a década de 1930, onde se mesclam aristocratas decadentes, novos-ricos, intelectuais pretensiosos em meio a arrivistas e boêmios. Contra esse pano de fundo movimenta-se a personagem central, Anthony Beavis, um privilegiado a quem as circunstâncias permitiram gozar de autonomia de pensamento, afluência econômica e ausência de laços afetivos. Sem qualquer esforço moral, Beavis consegue atingir a independência de julgamento de um filósofo e a capacidade de renúncia de um santo. Contudo, essa é uma liberdade fácil, que Huxley reprova. Sua intenção é mostrar que não é de forma alguma a verdadeira liberdade, e que a indiferença filosófica e o desprendimento de seu herói nada têm a ver com os do legítimo pensador ou do homem de bem.