Quebrando o encanto: A religião como fenômeno natural – Daniel Dennett

Quebrando o encanto: A religião como fenômeno natural – Daniel Dennett

A polêmica em torno das religiões não chega a ser uma novidade, mas o novo livro de Daniel Dennett é capaz de mudar, para melhor, o nível e o conteúdo desse debate. Filósofo e estudioso consagrado de evolução humana, o norte-americano é um ateu convicto e busca, com sua nova obra, “Quebrando o Encanto”, discutir a crença humana nas religiões a partir de uma questão fundamental: por que o homem crê na existência de seres superiores e lhes confere o estatuto de divindade? Quem espera, como parecem sugerir o título do livro e o currículo do autor, uma resposta biologizante, ou seja, a defesa da idéia de que a religiosidade é inata ao ser humano e, portanto, poderia ser explicada geneticamente, vai se surpreender com livro. Na verdade, Dennett defende a tese de que a humanidade não tem nenhuma programação biológica que a conduza à crença, mas, no entanto, esse comportamento pode ser explicado a partir do processo de evolução e seleção natural. Em vez de genes, Dennett utiliza o conceito de meme, cunhado por Richard Dawkins (autor do polêmico O gene egoísta): o meme é como um programa de computador adaptado ao aparelho biológico humano e que depende dele para continuar existindo. Ou seja, a religião é apreendida culturalmente, mas está de tal forma arraigada no “sistema operacional” (genético) humano, tal qual um parasita, que é naturalizada pelos próprios humanos como se fosse algo que lhes pertence intrinsecamente.
O problema, para Dannett, é que a religião, diferente de outras memes, como a cultura democrática ou a própria ciência, não teria mais nenhum papel na evolução humana. Diferente de outros tempos, quando foi fundamental para que os seres humanos, únicos animais que se perguntam sobre a própria existência, conseguissem atingir coesão social e, principalmente, pudessem dar sentido tanto a sua própria vida como seu maior medo — a morte –, a religião agora perdeu sua função positiva e, pelo contrário, significa uma barreira para a evolução.

A polêmica em torno das religiões não chega a ser uma novidade, mas o novo livro de Daniel Dennett é capaz de mudar, para melhor, o nível e o conteúdo desse debate. Filósofo e estudioso consagrado de evolução humana, o norte-americano é um ateu convicto e busca, com sua nova obra, “Quebrando o Encanto”, discutir a crença humana nas religiões a partir de uma questão fundamental: por que o homem crê na existência de seres superiores e lhes confere o estatuto de divindade? Quem espera, como parecem sugerir o título do livro e o currículo do autor, uma resposta biologizante, ou seja, a defesa da idéia de que a religiosidade é inata ao ser humano e, portanto, poderia ser explicada geneticamente, vai se surpreender com livro. Na verdade, Dennett defende a tese de que a humanidade não tem nenhuma programação biológica que a conduza à crença, mas, no entanto, esse comportamento pode ser explicado a partir do processo de evolução e seleção natural. Em vez de genes, Dennett utiliza o conceito de meme, cunhado por Richard Dawkins (autor do polêmico O gene egoísta): o meme é como um programa de computador adaptado ao aparelho biológico humano e que depende dele para continuar existindo. Ou seja, a religião é apreendida culturalmente, mas está de tal forma arraigada no “sistema operacional” (genético) humano, tal qual um parasita, que é naturalizada pelos próprios humanos como se fosse algo que lhes pertence intrinsecamente.
O problema, para Dannett, é que a religião, diferente de outras memes, como a cultura democrática ou a própria ciência, não teria mais nenhum papel na evolução humana. Diferente de outros tempos, quando foi fundamental para que os seres humanos, únicos animais que se perguntam sobre a própria existência, conseguissem atingir coesão social e, principalmente, pudessem dar sentido tanto a sua própria vida como seu maior medo — a morte –, a religião agora perdeu sua função positiva e, pelo contrário, significa uma barreira para a evolução.

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