Por Que Ler Mário de Andrade – Maria Augusta Fonseca

Por Que Ler Mário de Andrade – Maria Augusta Fonseca

Fazer um retrato de Mário de Andrade e abordar sua vasta obra é correr um risco e empreender uma ousadia. Há muitas personalidades que convivem dentro da figura de Mário de Andrade, esse personagem difícil de apreender, enigmático, questionador, sensível, reservado, brincalhão, sério, penetrante, exigente. Seus contemporâneos por vezes o descrevem como um homem melancólico, mas também expansivo, versátil, divertido, extrovertido. No mestre conjugavam-se seriedade profissional, manifestações de espírito lúdico e respeito humano. Na presença de desconhecidos, porém, seguindo depoimento de pessoas próximas e de familiares, Mário era bastante reservado. Inteligente e meditativo, amargurado e solitário; ora contido pela discrição e angustiado, ora arrebatado e exuberante. Esses atributos passam a ser necessários para compor sua figura, ainda que as linhas do desenho sejam imprecisas.O modo de ser múltiplo, complexo, contraditório, que Mário de Andrade externava no trato pessoal, reverbera na sua produção artística, na correspondência, em artigos de jornal, nas entrevistas, em crônicas, conferências. Desse amálgama de elementos tão diversos extraem-se traduções que fez de si mesmo. Duas delas, encravadas em poemas, são emblemáticas: “Sou um tupi tangendo um alaúde” – que é o último verso de “O trovador” (Pauliceia desvairada). A outra, bastante conhecida – “Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta” -, integra o poema de abertura da obra Remate de males. Mário é considerado o escritor mais nacionalista e múltiplo dos brasileiros. Formou com Oswald de Andrade , Menotti Del Picchia, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti o “Grupo dos cinco”, responsável pela organização da Semana de Arte Moderna de 1922. Bacharel em Ciências e Letras, praticamente criou a poesia moderna brasileira com a publicação, também em 1922, de Pauliceia desvairada, em que analisa a cidade de São Paulo e todos os seus elementos em uma escrita de estilo rápido e solto.

Fazer um retrato de Mário de Andrade e abordar sua vasta obra é correr um risco e empreender uma ousadia. Há muitas personalidades que convivem dentro da figura de Mário de Andrade, esse personagem difícil de apreender, enigmático, questionador, sensível, reservado, brincalhão, sério, penetrante, exigente. Seus contemporâneos por vezes o descrevem como um homem melancólico, mas também expansivo, versátil, divertido, extrovertido. No mestre conjugavam-se seriedade profissional, manifestações de espírito lúdico e respeito humano. Na presença de desconhecidos, porém, seguindo depoimento de pessoas próximas e de familiares, Mário era bastante reservado. Inteligente e meditativo, amargurado e solitário; ora contido pela discrição e angustiado, ora arrebatado e exuberante. Esses atributos passam a ser necessários para compor sua figura, ainda que as linhas do desenho sejam imprecisas.O modo de ser múltiplo, complexo, contraditório, que Mário de Andrade externava no trato pessoal, reverbera na sua produção artística, na correspondência, em artigos de jornal, nas entrevistas, em crônicas, conferências. Desse amálgama de elementos tão diversos extraem-se traduções que fez de si mesmo. Duas delas, encravadas em poemas, são emblemáticas: “Sou um tupi tangendo um alaúde” – que é o último verso de “O trovador” (Pauliceia desvairada). A outra, bastante conhecida – “Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta” -, integra o poema de abertura da obra Remate de males. Mário é considerado o escritor mais nacionalista e múltiplo dos brasileiros. Formou com Oswald de Andrade , Menotti Del Picchia, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti o “Grupo dos cinco”, responsável pela organização da Semana de Arte Moderna de 1922. Bacharel em Ciências e Letras, praticamente criou a poesia moderna brasileira com a publicação, também em 1922, de Pauliceia desvairada, em que analisa a cidade de São Paulo e todos os seus elementos em uma escrita de estilo rápido e solto.

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