Paixões – Domingos Pellegrini

Paixões – Domingos Pellegrini

Só existem dois jeitos de pegar uma coisa: como quem agarra ou como quem vai largar. Prefiro largar. A frase de Pellegrini, solta numa conversa, esclarece bastante sobre seu jeito de contar histórias. Com O homem vermelho (Prêmio Jabuti de 1977) ele já se apresentava como um narrador apaixonado: — Só escrevo se me emociono. Antes de pensar em literatura, penso em contar uma história. Escolado pelo jornalismo, prefere se dizer contador de histórias em vez de contista. Em Paixões, suas histórias são as mais aparentemente simples que já escreveu, sempre apaixonadas: Em Crime e perdão, uma visão satírica mas compreensiva das utopias políticas de juventude. Em Duas cervejas e A mulher dos sonhos, o espanto e o medo de amantes que não se assumem. Em Refeição em família, um adolescente — drogado — conversa com os pais pela primeira vez. Em Sapatos, a paixão obsessiva de um adolescente se quebra diante da realidade. Em Fantasias de uma noite de verão, a amargura do casamento chega à violência sexual. Em Tempos de república, o desencanto com a política romântica chega ao cinismo. E, em Sábado à noite, um homossexual lembra seus tempos de operário. Para explicar a gênese desses contos, Domingos revela: — Acontece que por muito tempo acreditei que é possível mudar o mundo. Agora vejo que tudo muda sem parar. E complementa, sem otimismo nem pessimismo: — A vida é perfeita porque é assim. Mas o que talvez mais esclareça a arte desse contador de histórias, cultivador de contradições, é outra frase solta: — Já estamos no Apocalipse; por isso mesmo, o melhor a fazer é se divertir. Em Paixões esse cinismo anda de braço com uma inocência que não consegue se disfarçar: o monstro – diz Pellegrini — no fundo é um menino.

Só existem dois jeitos de pegar uma coisa: como quem agarra ou como quem vai largar. Prefiro largar. A frase de Pellegrini, solta numa conversa, esclarece bastante sobre seu jeito de contar histórias. Com O homem vermelho (Prêmio Jabuti de 1977) ele já se apresentava como um narrador apaixonado: — Só escrevo se me emociono. Antes de pensar em literatura, penso em contar uma história. Escolado pelo jornalismo, prefere se dizer contador de histórias em vez de contista. Em Paixões, suas histórias são as mais aparentemente simples que já escreveu, sempre apaixonadas: Em Crime e perdão, uma visão satírica mas compreensiva das utopias políticas de juventude. Em Duas cervejas e A mulher dos sonhos, o espanto e o medo de amantes que não se assumem. Em Refeição em família, um adolescente — drogado — conversa com os pais pela primeira vez. Em Sapatos, a paixão obsessiva de um adolescente se quebra diante da realidade. Em Fantasias de uma noite de verão, a amargura do casamento chega à violência sexual. Em Tempos de república, o desencanto com a política romântica chega ao cinismo. E, em Sábado à noite, um homossexual lembra seus tempos de operário. Para explicar a gênese desses contos, Domingos revela: — Acontece que por muito tempo acreditei que é possível mudar o mundo. Agora vejo que tudo muda sem parar. E complementa, sem otimismo nem pessimismo: — A vida é perfeita porque é assim. Mas o que talvez mais esclareça a arte desse contador de histórias, cultivador de contradições, é outra frase solta: — Já estamos no Apocalipse; por isso mesmo, o melhor a fazer é se divertir. Em Paixões esse cinismo anda de braço com uma inocência que não consegue se disfarçar: o monstro – diz Pellegrini — no fundo é um menino.

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