Os Tripeiros – Antonio José Coelho Lousada

Os Tripeiros – Antonio José Coelho Lousada

A história de uma lenda. Uma lenda envolta em factos históricos e que nos conta como os habitantes do Porto ganharam a alcunha de “tripeiros”.
Meteram-vos na cabeça que vos queriam matar à fome… porque se embarca a carne na esquadra! exclamou ele; mas não se lembrou ninguém de que todas as tripas cá ficam!

Corria o ano de 1384. O Reino de Castela, aproveitando a disputas pelo trono português deixadas com a morte de D. Fernando I, invade Portugal tomando de assalto as cidades mais importantes do país: Lisboa, Porto e Coimbra. Sitiadas as cidades e isoladas umas das outras, coube aos cidadãos arranjarem meios de lutar com os seus próprios meios e sem contar com a ajuda externa.

Foi a cidade do Porto a primeira a conseguir livrar-se dos invasores, fazendo jus ao cognome que séculos depois lhe atribuíram e que D. Maria II ratificou: a Cidade Invicta, ou seja, a não conquistada, devido aos múltiplos feitos valorosos dos seus habitantes que sempre souberam resistir aos invasores, fossem eles espanhóis, franceses e ingleses; e de ser sempre o último bastião de protecção do reino em guerras civis.

A história de uma lenda. Uma lenda envolta em factos históricos e que nos conta como os habitantes do Porto ganharam a alcunha de “tripeiros”.

Meteram-vos na cabeça que vos queriam matar à fome… porque se embarca a carne na esquadra! exclamou ele; mas não se lembrou ninguém de que todas as tripas cá ficam!

Corria o ano de 1384. O Reino de Castela, aproveitando a disputas pelo trono português deixadas com a morte de D. Fernando I, invade Portugal tomando de assalto as cidades mais importantes do país: Lisboa, Porto e Coimbra. Sitiadas as cidades e isoladas umas das outras, coube aos cidadãos arranjarem meios de lutar com os seus próprios meios e sem contar com a ajuda externa.

Foi a cidade do Porto a primeira a conseguir livrar-se dos invasores, fazendo jus ao cognome que séculos depois lhe atribuíram e que D. Maria II ratificou: a Cidade Invicta, ou seja, a não conquistada, devido aos múltiplos feitos valorosos dos seus habitantes que sempre souberam resistir aos invasores, fossem eles espanhóis, franceses e ingleses; e de ser sempre o último bastião de protecção do reino em guerras civis.

Lisboa, por seu lado, onde as forças das armadas de Castela se concentraram mais, teve mais dificuldade em repelir os castelhanos e permaneceu sitiada durante vários meses, vendo a sua população a sucumbir pela fome e pela peste. Vindo em auxilio dos lisboetas vieram então várias galés do Porto, com soldados e mantimentos para repelir o invasor e dar de comer a uma população a morrer de fome.

Salvou-se assim a população de Lisboa graças à valentia ao sacrifício dos portuenses que deram toda a carne que restava nos armazéns da cidade do Porto, guardando para si, engenhosamente, os “miúdos” dos animais, ou seja: os orgãos e as tripas; geralmente deitados fora.

Publicado em 1857, esta obra “Os Tripeiros, – crónica do século XIV” foi um dos primeiros romance do género histórico publicados em Portugal. Começou a ser inicialmente publicada, sob a forma de folhetim, num periódico portuense mas o seu autor, Coelho Lousada, acabou por morrer (com apenas 31 anos)  de tuberculose e a obra ficou incompleta. Foi por iniciativa dos seus amigos, um dos quais Camilo Castelo Branco, que a obra acabaria por ser reunida num volume e editada postumamente, cabendo a sua conclusão a um autor anónimo; o resultado disto é que a obra parece acabar repentinamente com uma conclusão um pouco à “Deus ex machina”.

Apesar do romance não o referir, não foi só durante a invasão de Castela que os habitantes da cidade do Porto tomaram semelhante sacrifício. Em 1415, quando o príncipe de Portugal, o Infante D. Henrique, quis conquistar Ceuta, foi à cidade do Porto que coube a construção das naus e o seu aprovisionamento. Seguindo o exemplo passado, a população portuense sacrificou novamente as suas provisões de carne em prol da campanha de guerra, guardando para si apenas os órgãos dos animais. Diz então a lenda que foi o próprio Infante Dom Henrique, impressionado com o gesto, que batizou então os portuenses com o cognome de “Tripeiros”, como sinal do sacrifício heróico e invulgar do povo do Porto.

Deste sacrifício, duas vezes executado, nasceram as “Tripas à moda do Porto”, um prato típico da cidade do Porto e um dos mais caraterísticos pratos tradicionais da gastronomia portuguesa.

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