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O Sacerdote do Templo Shiga e Seu Amor – Yukio Mishima

O escritor japonês Yukio Mishima ofereceu-nos um dos contos mais admiráveis da literatura universal. O conto se chama O Sacerdote do Templo Shiga e Seu Amor.

Um sacerdote com fama de santidade, cuja existência consistia em manter-se distante das paixões mundanas, mortificando o corpo com sacrifícios e jejuns, em certa ocasião viu-se confrontado pela beleza da Grande Concubina Imperial. Por um breve instante, enquanto a carruagem da concubina atravessava a região do sacerdote, eis que o semblante da tal mulher surgiu no interior da carruagem, e ambos encararam-se durante alguns segundos.

Mesmo tão casto e severo, o sacerdote não pôde esquecer a beleza testemunhada naquelas feições. Supunha-se antes tão próximo da Terra Pura (o Paraíso dos homens santos), e, no entanto, eis que toda a sua ambição consistia agora em contemplar outra vez a formosura da concubina.

Passado certo tempo, chegou finalmente aos ouvidos da mulher essa noticia tão surpreendente: aquele sacerdote conhecido pela grande santidade, um eremita repleto de virtudes, exatamente aquele que, durante poucos instantes, tivera a oportunidade de encarar durante determinado passeio, deixara-se enredar pela sedução dos atrativos da Grande Concubina Imperial.

Guerreiros e nobres tinham já dedicado veneração a ela, entretanto, nenhum deles mostrara-se disposto a sacrificar tanto pelo amor da concubina. Pois ali estava um homem que aparentemente aceitara distanciar-se de seu itinerário espiritual rumo à Terra Pura, e isto que tanto a perturbava inicialmente, enfim acabou produzindo na mulher respeito e atração pela existência do eremita.

Somos todos compostos de uma natureza que se divide entre as realidades da matéria e do espírito, e ainda que busquemos nos desvencilhar desta ou daquela dimensão, em algum momento compreendemos que se trata de uma pretensão inalcançável. Existe sempre uma força que nos impulsiona a viver aquilo de que tanto pretendemos escapar.

Só o equilíbrio resolve esse problema e, de certa maneira, os protagonistas do conto de Mishima descobriram essa verdade ao cruzarem-se no caminho.

O escritor japonês Yukio Mishima ofereceu-nos um dos contos mais admiráveis da literatura universal. O conto se chama O Sacerdote do Templo Shiga e Seu Amor.

Um sacerdote com fama de santidade, cuja existência consistia em manter-se distante das paixões mundanas, mortificando o corpo com sacrifícios e jejuns, em certa ocasião viu-se confrontado pela beleza da Grande Concubina Imperial. Por um breve instante, enquanto a carruagem da concubina atravessava a região do sacerdote, eis que o semblante da tal mulher surgiu no interior da carruagem, e ambos encararam-se durante alguns segundos.

Mesmo tão casto e severo, o sacerdote não pôde esquecer a beleza testemunhada naquelas feições. Supunha-se antes tão próximo da Terra Pura (o Paraíso dos homens santos), e, no entanto, eis que toda a sua ambição consistia agora em contemplar outra vez a formosura da concubina.

Passado certo tempo, chegou finalmente aos ouvidos da mulher essa noticia tão surpreendente: aquele sacerdote conhecido pela grande santidade, um eremita repleto de virtudes, exatamente aquele que, durante poucos instantes, tivera a oportunidade de encarar durante determinado passeio, deixara-se enredar pela sedução dos atrativos da Grande Concubina Imperial.

Guerreiros e nobres tinham já dedicado veneração a ela, entretanto, nenhum deles mostrara-se disposto a sacrificar tanto pelo amor da concubina. Pois ali estava um homem que aparentemente aceitara distanciar-se de seu itinerário espiritual rumo à Terra Pura, e isto que tanto a perturbava inicialmente, enfim acabou produzindo na mulher respeito e atração pela existência do eremita.

Somos todos compostos de uma natureza que se divide entre as realidades da matéria e do espírito, e ainda que busquemos nos desvencilhar desta ou daquela dimensão, em algum momento compreendemos que se trata de uma pretensão inalcançável. Existe sempre uma força que nos impulsiona a viver aquilo de que tanto pretendemos escapar.

Só o equilíbrio resolve esse problema e, de certa maneira, os protagonistas do conto de Mishima descobriram essa verdade ao cruzarem-se no caminho.

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