O problema da distribuição de mangás no Brasil

O problema da distribuição de mangás no Brasil

NewPOP, JBC, Panini e Nova Sampa. O que essas editoras, e tantas outras, têm em comum? Além de trabalhar com material em bancas, são todas clientes da DINAP Distribuidora, empresa encarregada de levar esses produtos para o Brasil, através de bancas de jornais.

por dudunaweb (via Crunchyroll Brasil)

Ruim e monopolizada, a distribuição é a verdadeira crise que as editoras vivem, mas não falam sobre

NewPOP, JBC, Panini e Nova Sampa. O que essas editoras, e tantas outras, têm em comum? Além de trabalhar com material em bancas, são todas clientes da DINAP Distribuidora, empresa encarregada de levar esses produtos para o Brasil, através de bancas de jornais.

Mas se você acha que todas elas contratam os serviços da empresa por opção você se engana. Acontece que hoje a DINAP pertence a um mercado em que não há concorrência. Com a compra da Fernando Chinaglia em 2007 e autorização do Cade – órgão que deveria defender a livre concorrência no mercado – a DINAP passou a cuidar, sozinha, dos serviços de distribuição em todo o país.

Com isso, não é difícil imaginar o que aconteceu: se você não tem concorrência e é obrigado a se submeter àquela única prestadora, parece óbvio que ela não se preocupará tanto com o serviço oferecido a você. Afinal, você não tem escolha.

O que aconteceu a partir da formação desse monopólio foi que em 2013, só com taxas de distribuição e retenção do local da venda, as editoras em geral estavam perdendo algo entre 48% e 52% do valor de capa do produto que vendem. E isso é válido tanto para mangás, que custam R$12,90, quanto para encadernados especiais de R$40,00, pois o cálculo é feito em cima do valor do produto distribuído.

A informação é de uma fonte anônima com ampla experiência no mercado que revelou também um reajuste drástico (em suas palavras) na taxa da distribuidora ainda em 2013, mas não quis informar esse valor por medo de represálias, se atendo a divulgar valores anteriores para que se pudesse, ao menos, ter uma noção do que ocorre nos bastidores.

Não sendo suficiente, em março de 2015 novas mudanças internas foram feitas na distribuidora, que passou a parcelar o pagamento às editoras em no mínimo duas vezes, esticando, ainda, o prazo para o depósito dos valores devidos.

A editora NewPOP, que recentemente diminuiu drásticamente os títulos que distribui em bancas, reclamou, ainda, da falta de cuidado com o material transportado, muitas vezes fazendo eles retornarem à editora amassados, e a não devida exposição em banca, observado nos pacotes que voltavam lacrados.

Não entramos ainda nem no mérito da distribuição por fases, que atrasa em muitos meses a chegada do produto às regiões da chamada fase 2. E para ter um título distribuído nacionalmente a editora precisa pagar mais caro, até porque a logística envolvida requer maiores gastos.

Por essas e outras razões é de se entender – e até concordar – que algumas editoras sem muito poder financeiro estejam pulando fora desse barco. Para algumas, comprometer metade do valor de um produto e esperar meses para receber a sua parte é fatal para o negócio.

Então, se as editoras hoje vivem uma crise, essa não é pelo papel da qual algumas reclamam. Talvez um pouco pelo valor do dólar que encarece alguns ensumos, mas principalmente pela distribuição monopolizada e, infelizmente, obrigatória a qual elas precisam se submeter, e que não podem falar muito, pelo menos não sem um clima de amistosidade. Afinal, comprar briga com a única fornecedora de um serviço pode significar ficar sem esse serviço, que para elas é, ainda, essencial.

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