O Pobre de Deus – Nikos Kazantzákis

O Pobre de Deus – Nikos Kazantzákis

A vida de São Francisco de Assis (1182-1226) já foi contada das mais variadas maneiras por cineastas como Roberto Rosselini, que fez dele um mártir, e Franco Zeffirelli, que o transformou num hippie. Entre o realismo do primeiro e a fantasia do segundo existe um abismo que só a literatura foi capaz de transpor. Particularizando, apenas um escritor polêmico como o grego Nikos Kazantzákis (1883-1957), autor de A Última Tentação de Cristo, poderia ter escrito O Pobre de Deus, biografia romanceada do santo italiano que nasceu rico, livrou-se das roupas de seda, dançou nu na praça principal de Assis, falou com pássaros e peregrinou até seus pés sangrarem e seus olhos ficarem cegos. Kazantzákis, excomungado pela Igreja Ortodoxa Grega, atormentado pelas idéias de Nietzsche e Bergson, marxista estudioso do budismo, era mesmo o nome para a difícil tarefa de explicar personalidade tão complexa.
Apesar de contada por um mendigo que segue Francisco e se torna monge, essa história tem como narrador o próprio Kazantzákis, transformado no etílico irmão Leo. O livro começa à beira do leito de morte do santo. O companheiro de jornada recorda as privações pelas quais passaram juntos, as dúvidas sobre a iluminação do amigo, o carisma e o confronto com a autoridade paterna ao renunciar à riqueza como um presente satânico e abraçar a vida simples. Modelo do homem que supera suas limitações para agradar a um Criador que parece fora deste mundo, Francisco é visto pelo escritor ora como o engraçado bufão de Deus, ora como um trágico cordeiro, marcado para mudar o mundo não por seu comportamento exemplar, mas, antes, por seus excessos. Kazantzákis elege-o como um profeta da não-violência muito antes de Gandhi.

O-Pobre-de-Deus-Nikos-KazantzákisA vida de São Francisco de Assis (1182-1226) já foi contada das mais variadas maneiras por cineastas como Roberto Rosselini, que fez dele um mártir, e Franco Zeffirelli, que o transformou num hippie. Entre o realismo do primeiro e a fantasia do segundo existe um abismo que só a literatura foi capaz de transpor. Particularizando, apenas um escritor polêmico como o grego Nikos Kazantzákis (1883-1957), autor de A Última Tentação de Cristo, poderia ter escrito O Pobre de Deus, biografia romanceada do santo italiano que nasceu rico, livrou-se das roupas de seda, dançou nu na praça principal de Assis, falou com pássaros e peregrinou até seus pés sangrarem e seus olhos ficarem cegos. Kazantzákis, excomungado pela Igreja Ortodoxa Grega, atormentado pelas idéias de Nietzsche e Bergson, marxista estudioso do budismo, era mesmo o nome para a difícil tarefa de explicar personalidade tão complexa.
Apesar de contada por um mendigo que segue Francisco e se torna monge, essa história tem como narrador o próprio Kazantzákis, transformado no etílico irmão Leo. O livro começa à beira do leito de morte do santo. O companheiro de jornada recorda as privações pelas quais passaram juntos, as dúvidas sobre a iluminação do amigo, o carisma e o confronto com a autoridade paterna ao renunciar à riqueza como um presente satânico e abraçar a vida simples. Modelo do homem que supera suas limitações para agradar a um Criador que parece fora deste mundo, Francisco é visto pelo escritor ora como o engraçado bufão de Deus, ora como um trágico cordeiro, marcado para mudar o mundo não por seu comportamento exemplar, mas, antes, por seus excessos. Kazantzákis elege-o como um profeta da não-violência muito antes de Gandhi.

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