O homem que sabe:  Do homo sapiens à crise da razão – Viviane Mosé

O homem que sabe: Do homo sapiens à crise da razão – Viviane Mosé

Ao apostar na autonomia da razão, da ciência e da técnica, o homem moderno acreditou que conseguiria construir um mundo melhor do que aquele que lhe era oferecido pela natureza. O homem que sabe apresenta um discurso raro, entre a filosofia e o poema, sobre a atual condição do Homem. Viviane Mosé reflete sobre a Modernidade, oferecendo ao leitor a oportunidade de pensar, por exemplo, sobre como ela pode provocar enormes avanços tecnológicos, mas, ao mesmo tempo, também crises sociais, ambientais e econômicas.

Em O homem que sabe, Viviane Mosé segue sua missão de popularizar o saber filosófico, coroada com a apresentação do quadro “Ser ou ser”, no Fantástico, entre os anos de 2005 e 2006. Em seu novo livro, a filósofa e poetisa fala sobre o surgimento de uma nova consciência em oposição à racionalidade ocidental, responsável pelo surgimento de sociedades com altos graus de exclusão.

A autora defende a reinvenção do mundo através da crescente mudança de valores característica do nosso tempo. Viviane acredita que vivemos hoje “momentos de exceção”, que propiciam a invenção de mundos menos desiguais, em que o valor da vida ganha mais força que a exploração e o consumo desenfreado.

Viviane Mosé destaca o lugar do Brasil na construção de um mundo melhor e contesta a frase tantas vezes ouvida durante o mestrado e o doutorado: “fazer filosofia era impossível para nós brasileiros sem tradição”. Ela mostra que a falta de tradição pode ser o nosso grande trunfo.

“Quem sabe, os selvagens alegres, os exóticos que hoje despontam com algum lastro de cultura e tecnologia, talvez exatamente nós, os livres cujos corpos desfilam pelas ruas como se dançassem, tenhamos condições de romper com o niilismo das tradições. Acreditar em um mundo possível e cria-lo é a tarefa, não de um homem, mas de uma cultura afirmativa, como penso ser a nossa”, afirma Viviane.

As filosofias de Kant, Espinosa, Foucault, e, sobretudo a de Nietzsche, são trazidas ao debate. A filósofa ressalta que a sua intenção não é “conversar com a tradição”, mas sim incutir no pensamento cotidiano conceitos que ela considera fundamentais.

 

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