Noites do Sertão – João Guimarães Rosa

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“As duas novelas que formam estas Noites do sertão têm como traço comum a sexualidade como força arrebatadora que se sobrepõe a convenções e preconceitos, e pode levar homens e mulheres tanto à plenitude do prazer quanto ao encontro de si mesmos. A primeira, “Dão-Lalalão”, é a estória de Soropita, vaqueiro valentão, responsável por várias mortes, que se apaixona totalmente pela faceirice sensual de Doralda, mulher que é “o estado de um perfume. Respirar que forma uma alegria”. Surupita a tira de um bordel de Montes Claros para fazer dela sua esposa, mas, apesar da felicidade que experimenta ao seu lado, se ressente ainda de que algum de seus companheiros a reconheçam. A segunda, “Buriti”, narra o envolvimento de quatro pessoas que vivem numa fazenda, num clima de extrema sensualidade que os vaienvolvendo pouco a pouco e provoca as mais inesperadas aproximações. Em Noites do sertão, o centro de atenção do autor transfere-se sutilmente da paisagem e do meio ambiente para as personagens. Se na maioria das obras de Guimarães Rosa a fusão entre personagens e natureza é total, aqui as personagens destacam-se nitidamente da paisagem. E nessa trama de sensualidade e paixão, a grande força avassaladora é das mulheres, entre as quais estão algumas das personagens marcantes da extensa galeria feminina rosiana: Lalinha, elemento urbano perdido nos confins do sertão, à sombra de um simbólico buriti-Liodoro; Maria da Glória, em seu processo de transformação em mulher, e Doralda, protótipo da sensualidade feminina clássica. Vivem todas sob um aparente domínio masculino que lhes é imposto pela sociedade patriarcal que as cerca, mas na realidade são elas que controlam, é delas que advém a tranquilidade dos homens.”

 

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