Mínima Lírica – Paulo Henriques Britto

Mínima Lírica – Paulo Henriques Britto

Esta edição reúne os dois títulos iniciais de um poeta que, ao longo de trinta anos de carreira, iria ostentar uma das trajetórias mais sólidas e brilhantes da lírica brasileira contemporânea. Liturgia da matéria (1982) e “Mínima lírica” (1989), obras que seriam reunidas em 1989 pela coleção Claro Enigma do poeta e crítico Augusto Massi, são os primeiros e já seguros passos de seu autor, o escritor e tradutor carioca Paulo Henriques Britto.
Pois há uma segurança e um manejo extraordinários do verso, tudo vindo a reboque de uma ironia que não se resume apenas ao olhar do poeta sobre as coisas e o mundo, mas igualmente contamina a própria forma do poema. Prova dessa atitude diante da tradição literária são a série “Dez sonetos sentimentais”, com dez sonetos ingleses (compostos numa única estrofe de quatorze versos, e portanto diferentes da forma mais consagrada do soneto em línguas latinas) que dão voz a uma série de reflexões nada sentimentais, e “Logística da composição”, espécie de resposta-homenagem à “Psicologia da composição” de João Cabral de Melo Neto: “Só o sonho é inevitável. Quanto ao resto,/ há sempre a possibilidade aberta/ de fazer outro gesto, dizer uma/ palavra que é o contrário de si mesma”.
Para além da reflexão acerca da “música banal dos sentimentos” (como escreve nos versos de abertura do poema “Pour Élise”), as peças reunidas neste volume também dão conta de uma vasta gama de interesses do tradutor de, entre outros, Elizabeth Bishop e Wallace Stevens (só para ficarmos com os poetas que Paulo Henriques Brito trouxe para a língua portuguesa com inteligência e perícia). A tradição literária, a poesia de língua inglesa e as tentativas do eu lírico de abarcar — de forma nada pretensiosa — as diversas esferas da experiência concreta estão entre os grandes momentos de um livro permeado de astúcia literária, humor e observação do cotidiano.

Esta edição reúne os dois títulos iniciais de um poeta que, ao longo de trinta anos de carreira, iria ostentar uma das trajetórias mais sólidas e brilhantes da lírica brasileira contemporânea. Liturgia da matéria (1982) e “Mínima lírica” (1989), obras que seriam reunidas em 1989 pela coleção Claro Enigma do poeta e crítico Augusto Massi, são os primeiros e já seguros passos de seu autor, o escritor e tradutor carioca Paulo Henriques Britto.
Pois há uma segurança e um manejo extraordinários do verso, tudo vindo a reboque de uma ironia que não se resume apenas ao olhar do poeta sobre as coisas e o mundo, mas igualmente contamina a própria forma do poema. Prova dessa atitude diante da tradição literária são a série “Dez sonetos sentimentais”, com dez sonetos ingleses (compostos numa única estrofe de quatorze versos, e portanto diferentes da forma mais consagrada do soneto em línguas latinas) que dão voz a uma série de reflexões nada sentimentais, e “Logística da composição”, espécie de resposta-homenagem à “Psicologia da composição” de João Cabral de Melo Neto: “Só o sonho é inevitável. Quanto ao resto,/ há sempre a possibilidade aberta/ de fazer outro gesto, dizer uma/ palavra que é o contrário de si mesma”.
Para além da reflexão acerca da “música banal dos sentimentos” (como escreve nos versos de abertura do poema “Pour Élise”), as peças reunidas neste volume também dão conta de uma vasta gama de interesses do tradutor de, entre outros, Elizabeth Bishop e Wallace Stevens (só para ficarmos com os poetas que Paulo Henriques Brito trouxe para a língua portuguesa com inteligência e perícia). A tradição literária, a poesia de língua inglesa e as tentativas do eu lírico de abarcar — de forma nada pretensiosa — as diversas esferas da experiência concreta estão entre os grandes momentos de um livro permeado de astúcia literária, humor e observação do cotidiano.

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