Lisboa no Ano 2000 – Melo de Matos

Lisboa no Ano 2000 – Melo de Matos

De bom grado olhamos para o passado de Portugal. Com prazer rememoramos as épocas gloriosas da nossa história e até às vezes aquelas em que o oiro do Brasil alimentava as nossas vaidades sem alentar nem a nossa indústria, nem a nossa agricultura. Admiramos os heróis da história pátria, extasiamo-nos perante a largueza de vistas de Afonso de Albuquerque ou do Marquês de Pombal, mas não nos atrevemos a encarar de frente o que o futuro pode reservar para o nosso país. Se algum estadista nosso quis ter iniciativa, quis obrigar-nos a caminhar como as outras nações, ou passou por visionário ou foi taxado de aventureiro. Apontar nomes seria reforçar a nossa asserção, mas ainda se pode dizer que estão quentes as cinzas de alguns, não apagadas as paixões provocadas pelas ideias de outros e por isso mais vale seguir o conselho do Dante: ma guarda e passa e embarcarmo-nos no batel doirado da fantasia, para vivermos a Lisboa que deveríamos ter daqui por vinte anos, que é forçoso que tenhamos até antes dessa época, sob pena de darmos razão à profecia de um estadista inglês, cujo nome também não citaremos.

Chamamos-lhe Lisboa no ano 2000; mas, se progredirmos a valer e como devemos, dentro de 96 anos teremos ultrapassado tudo quanto fantasiamos aqui.

Lisboa no Ano 2000 – Melo de Matos De bom grado olhamos para o passado de Portugal. Com prazer rememoramos as épocas gloriosas da nossa história e até às vezes aquelas em que o oiro do Brasil alimentava as nossas vaidades sem alentar nem a nossa indústria, nem a nossa agricultura. Admiramos os heróis da história pátria, extasiamo-nos perante a largueza de vistas de Afonso de Albuquerque ou do Marquês de Pombal, mas não nos atrevemos a encarar de frente o que o futuro pode reservar para o nosso país. Se algum estadista nosso quis ter iniciativa, quis obrigar-nos a caminhar como as outras nações, ou passou por visionário ou foi taxado de aventureiro. Apontar nomes seria reforçar a nossa asserção, mas ainda se pode dizer que estão quentes as cinzas de alguns, não apagadas as paixões provocadas pelas ideias de outros e por isso mais vale seguir o conselho do Dante: ma guarda e passa e embarcarmo-nos no batel doirado da fantasia, para vivermos a Lisboa que deveríamos ter daqui por vinte anos, que é forçoso que tenhamos até antes dessa época, sob pena de darmos razão à profecia de um estadista inglês, cujo nome também não citaremos.

Chamamos-lhe Lisboa no ano 2000; mas, se progredirmos a valer e como devemos, dentro de 96 anos teremos ultrapassado tudo quanto fantasiamos aqui.

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