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Kalki – Gore Vidal

Em ‘Kalki’, Vidal não perdoa as comunidades religiosas e centra suas baterias nas apregoadas utopias de fim de milênio. Não poupando ironias acerbas lançadas às filosofias orientais e até à atualíssima cientologia, Gore Vidal preparou para o leitor um fim de mundo inesperado e cruel.

A humanidade será exterminada em 3 de abril. James J. Kelly, sargento americano e ex-combatente no Vietnã, é um gênio que se proclama a décima encarnação do deus hinduísta Vishnu. Instala-se em Katmandu, no Nepal, e, com o nome de Kalki, forma uma seita que anuncia “O Fim”. A aviadora e escritora Theodora Teddy Hecht Ottinger, atéia, bissexual e financeiramente falida, recebe a tarefa de entrevistá-lo. Logo ao vê-lo com a mulher Lakshmi, a “Rainha do Céu”, tem uma irresistível atração sexual pelos dois, logo concretizada com o pretenso deus hindu. A entrevista é um sucesso mundial e Kalki já conquista milhões de adeptos em todo o Planeta. Para seu espanto, Teddy é nomeada um dos cinco Mestres Perfeitos, sobreviventes de “O Fim”, cuja tarefa é transmitir conhecimento a uma nova humanidade, formada a partir de Kalki, Lakshmi e seus filhos.

A CIA, o FBI e grupos mafiosos internacionais estão no encalço de Kalki, devido a suspeitas de que Kalki controla uma rede mundial de narcotráfico. Contratada apenas como pilota, Teddy descobre mais tarde que ajudou a disseminar em todos os continentes uma bactéria letal escondida em flores de papel. Apenas os cinco Mestres Perfeitos estavam imunes à infecção. Mas havia no Apocalipse de Kelly uma falha com a qual ele não contava…

Narrado por uma cética Teddy, Kalki, de 1978, é uma ficção científica profética, próxima a Messias, escrita 24 anos antes. Desta vez, Gore Vidal não poupa os modismos das religiões orientais — e até a atual cientologia — de sua afiada ironia, preparando para o leitor um fim do mundo surpreendente, alucinado e cruel. Mesmo após o Apocalipse, Teddy continua a não acreditar em Deus e apenas admite a sinceridade do casal e de seus adeptos. Ouve e anota a definição que o sargento Kelly dá de si mesmo: “Sou o mais sublime dos sublimes. O divino amado que te ama mais do que amas a ti mesmo. Antes de mim vieram Zoroastro, Rama, Krishna, Buda, Jesus e Maomé. Hei de recriar a humanidade. A idade do ouro chegará de novo. Antes da criação do universo, eu existia.”

Em Kalki, o autor sugere uma nova evolução para acertar o mundo. E, mesmo assim, se eventuais australopitecos deles resultantes não gerarem os incorrigíveis seres atuais. Para Gore Vidal, a humanidade não tem jeito.

Sobre o autor

Gore Vidal nasceu em 1925 na Academia Militar de West Point, Estados Unidos, onde seu pai foi o primeiro instrutor de aviação. Neto do senador T. P. Gore, desde jovem conviveu com personalidades do cenário político americano, o que explica sua militância política. Escritor consagrado, notabilizou-se pela visão única e cáustica da natureza humana e dos EUA em especial. Escreveu seu primeiro romance, Williwaw, aos dezenove anos. Durante quase cinco décadas tem publicado romances, peças de teatro, contos e ensaios. A Rocco tem em seu catálogo Burr, Fundação Smithsonian, 1876, Washington D.C., À procura do rei, Um momento de louros verdes, Palimpsesto, Myron, Messias, Juliano, Império, Hollywood, Duluth, A cidade e o pilar e Ao vivo do calvário.

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