Romance

Festa no covil – Juan Pablo Villalobos

O romance de estreia de Juan Pablo Villalobos é surpreendente em muitos sentidos. Breve e incisivo ao revelar a face mais violenta da realidade (não apenas) mexicana sob uma ótica insólita, entra no cânone da narcoliteratura sem ceder aos tiques próprios do subgênero.
Em Festa no covil, a vida íntima de um poderoso chefe do narcotráfico — Yolcault, ou “El Rey” — é narrada pelo filho. Garoto de idade indefinida, curioso e inteligente, o pequeno herói, que vive trancado num “palácio” sem saber a verdade sobre o pai, reconta sem filtros morais o que presencia ou conhece pela boca dos empregados ou pela tevê. Seu passatempo é investigar secretamente os mistérios que entrevê, colecionar chapéus e palavras difíceis e pesquisar sobre samurais, reis da França e animais em extinção, sempre com o auxílio de seu preceptor — um escritor fracassado egresso da esquerda.
Esse pequeno príncipe, tão mimado quanto privado de infância, tem um desejo obsessivo: completar seu minizoológico particular com o raríssimo hipopótamo anão da Libéria. Reveses nos negócios paternos e a conveniência de o grupo abandonar o México por um tempo acabam tornando realidade o safári para capturar o tal hipopótamo em risco de extinção.
A viagem à África com seus percalços e o regresso ao “palácio” constituem a grande iniciação do narrador-protagonista, a quem só na última linha é dado chamar o pai de “pai”.
Festa no covil é surpreendente também no seu percurso editorial: seus originais chegaram à editora espanhola Anagrama sem as indicações de praxe nem a chancela de concursos literários, caindo nas graças de Jorge Herralde, o mais respeitado editor do mundo hispânico. Publicado em junho de 2010, logo começou a receber os mais veementes elogios dos principais suplementos e revistas culturais de ambos os lados do Atlântico.

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5 Comments

  • Ronaldo
    29 de setembro de 2012 - 14:09 | Permalink

    Este livro e encantado, mesmo sendo tão pequeno.

  • Marcelo
    10 de outubro de 2012 - 20:20 | Permalink

    Viva a fuga do mainstream. 🙂

  • nandocmmc
    17 de outubro de 2012 - 13:39 | Permalink

    Mais uma obra para minha vasta bagagem… Obrigado!!!

  • Scout
    26 de outubro de 2012 - 17:06 | Permalink

    Vi tanta gente recomendando esse livro pela internet afora. =)

  • Bruno Coqueiro
    30 de dezembro de 2012 - 16:48 | Permalink

    Obrigado!

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