Deuses de dois mundos – O Livro da Morte – PJ Pereira

Deuses de dois mundos – O Livro da Morte – PJ Pereira

Do processo de estudos de 15 anos, com uma bibliografia fundamentada – à disposição do curioso leitor no final do livro –, e elogios de pesquisadores da cultura africana, como Reginaldo Prandi, professor da Universidade de são Paulo e autor do consagrado “Mitologia dos Orixás”, PJ Pereira desafia os limites de uma aparente divisão entre dois mundos, sejam eles o do Aiê e do Orum, ou do conhecido e do desconhecido, para escrever uma obra como resposta ao preconceito. A visibilidade da saga e seu sucesso de público e crítica renderam um projeto em conjunto com a The Alchemists, o qual já está sendo trabalhado com PJ Pereira. Se, nos dois primeiros títulos da saga, O Livro do Silêncio e O Livro da Traição, PJ Pereira mostra as potências do masculino, no presente volume as forças das Mães Ancestrais rebelam-se contra as formas opressoras do masculino num mundo sagrado, tal como no mundo dos mortais, regido por leis que desrespeitam o verdadeiro significado da tradição. Uma vez que cabe aos orixás masculinos, e não aos femininos, a condução dos destinos dos homens, arma-se a guerra entre as deusas contra os deuses, pois algo, na origem, perdeu seu curso “natural”. Assim, O Livro da Morte também é, no mínimo e neste sentido, um instigante convite a questionar o desequilíbrio entre as potências do feminino e do masculino. A escrita de PJ Pereira revela-se como admiração pelo prazer do texto, suscitado pela abertura do ouvido, pois dá espaço à inteligência do leitor em receber as palavras, expressões e gestos do cotidiano, colocando-as no mundo das alegorias e dos arquétipos iorubás que tanto contribuíram para a construção da rica diversidade da cultura brasileira. Mitos de uma determinada cultura, a africana, localizados num espaço-tempo, mas que, caso se queira, podem ser concebidos como “mitologias de nós mesmos e do tempo que corre”.

Do processo de estudos de 15 anos, com uma bibliografia fundamentada – à disposição do curioso leitor no final do livro –, e elogios de pesquisadores da cultura africana, como Reginaldo Prandi, professor da Universidade de são Paulo e autor do consagrado “Mitologia dos Orixás”, PJ Pereira desafia os limites de uma aparente divisão entre dois mundos, sejam eles o do Aiê e do Orum, ou do conhecido e do desconhecido, para escrever uma obra como resposta ao preconceito. A visibilidade da saga e seu sucesso de público e crítica renderam um projeto em conjunto com a The Alchemists, o qual já está sendo trabalhado com PJ Pereira. Se, nos dois primeiros títulos da saga, O Livro do Silêncio e O Livro da Traição, PJ Pereira mostra as potências do masculino, no presente volume as forças das Mães Ancestrais rebelam-se contra as formas opressoras do masculino num mundo sagrado, tal como no mundo dos mortais, regido por leis que desrespeitam o verdadeiro significado da tradição. Uma vez que cabe aos orixás masculinos, e não aos femininos, a condução dos destinos dos homens, arma-se a guerra entre as deusas contra os deuses, pois algo, na origem, perdeu seu curso “natural”. Assim, O Livro da Morte também é, no mínimo e neste sentido, um instigante convite a questionar o desequilíbrio entre as potências do feminino e do masculino. A escrita de PJ Pereira revela-se como admiração pelo prazer do texto, suscitado pela abertura do ouvido, pois dá espaço à inteligência do leitor em receber as palavras, expressões e gestos do cotidiano, colocando-as no mundo das alegorias e dos arquétipos iorubás que tanto contribuíram para a construção da rica diversidade da cultura brasileira. Mitos de uma determinada cultura, a africana, localizados num espaço-tempo, mas que, caso se queira, podem ser concebidos como “mitologias de nós mesmos e do tempo que corre”.

 

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