Depois da fotografia – Natalia Brizuela

Depois da fotografia – Natalia Brizuela

Desafiando as fronteiras, sempre movediças, entre a literatura e as outras artes, a escrita assume a categoria de “prática artística” – expressão que Natalia Brizuela adota do escritor Mario Bellatin. Estaríamos situados, então, não no regime mimético-representativo que caracteriza as “artes”, mas no regime estético que, segundo as formulações de Jacques Rancière, caracteriza a “arte”. Do interior desse contexto teórico-conceitual mais amplo, e trazendo para o debate os pensamentos de Rosalind Krauss e Adorno (em tensão com as particularidades sociopolíticas do cenário latino-americano), Brizuela esclarece o duplo propósito de seu livro: de um lado, explorar como se produz a fissura que, no século XX, faz com que a fotografia se infiltre no campo literário e vice-versa; de outro, indagar, em perspectiva histórica, os motivos da convivência entre a ideia de “autonomia literária” e aquilo a que a autora chama, assim como Michel Foucault, “prosa do mundo” – indagação cujo limite aponta para o questionamento radical da noção de meio. Ora, tal noção é precisamente o que os trabalhos de Juan Rulfo, Diamela Eltit, Mario Bellatin e Nuno Ramos desafiam. Dos arquivos do escritor e fotógrafo “amateur” Rulfo à teatralidade da escrita de Eltit; do “escrever sem escrever” dos cem mil livros de Bellatin às passagens da palavra em Nuno Ramos, o que está em jogo, a rigor, são as relações entre meios (materiais, artísticos, disciplinares) e produção de alteridade no contemporâneo: em que medida a problematização daqueles implica a abertura para esta última? – propõe-nos Depois da fotografia. Uma literatura fora de si, mais um volume da Coleção Entrecríticas, espaço de reflexão sobre a literatura em suas conexões com outras práticas artísticas, organizada por Paloma Vidal.

Desafiando as fronteiras, sempre movediças, entre a literatura e as outras artes, a escrita assume a categoria de “prática artística” – expressão que Natalia Brizuela adota do escritor Mario Bellatin. Estaríamos situados, então, não no regime mimético-representativo que caracteriza as “artes”, mas no regime estético que, segundo as formulações de Jacques Rancière, caracteriza a “arte”. Do interior desse contexto teórico-conceitual mais amplo, e trazendo para o debate os pensamentos de Rosalind Krauss e Adorno (em tensão com as particularidades sociopolíticas do cenário latino-americano), Brizuela esclarece o duplo propósito de seu livro: de um lado, explorar como se produz a fissura que, no século XX, faz com que a fotografia se infiltre no campo literário e vice-versa; de outro, indagar, em perspectiva histórica, os motivos da convivência entre a ideia de “autonomia literária” e aquilo a que a autora chama, assim como Michel Foucault, “prosa do mundo” – indagação cujo limite aponta para o questionamento radical da noção de meio. Ora, tal noção é precisamente o que os trabalhos de Juan Rulfo, Diamela Eltit, Mario Bellatin e Nuno Ramos desafiam. Dos arquivos do escritor e fotógrafo “amateur” Rulfo à teatralidade da escrita de Eltit; do “escrever sem escrever” dos cem mil livros de Bellatin às passagens da palavra em Nuno Ramos, o que está em jogo, a rigor, são as relações entre meios (materiais, artísticos, disciplinares) e produção de alteridade no contemporâneo: em que medida a problematização daqueles implica a abertura para esta última? – propõe-nos Depois da fotografia. Uma literatura fora de si, mais um volume da Coleção Entrecríticas, espaço de reflexão sobre a literatura em suas conexões com outras práticas artísticas, organizada por Paloma Vidal.

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