Da Mentira – Gabriel Liiceanu

Da Mentira – Gabriel Liiceanu

Propus a mim mesmo falar da mentira, o que significa, de algo puramente humano: apenas o homem pode mentir, porque apenas o homem tem parte num “algo” que pode exprimir e que, exprimindo, pode mover-se em duas direções totalmente opostas: a verdade e o falso intencional. Este “algo” é a língua.

O fato de a língua, empregada do utilizador humano, poder dizer não apenas o que é, mas o que não é – ou seja, o fato de que uma palavra pode dizer não apenas a verdade, mas também mentir – explica por que a história do homem é, em sua essência, uma corrente de desastres. “O povo romeno não está no nível da língua que fala”.

Mas o próprio homem como espécie não está no nível da língua que emprega. Toda a história desta espécie é uma expressão de uma fraude lingüística.

Propus a mim mesmo falar da mentira, o que significa, de algo puramente humano: apenas o homem pode mentir, porque apenas o homem tem parte num “algo” que pode exprimir e que, exprimindo, pode mover-se em duas direções totalmente opostas: a verdade e o falso intencional. Este “algo” é a língua.

O fato de a língua, empregada do utilizador humano, poder dizer não apenas o que é, mas o que não é – ou seja, o fato de que uma palavra pode dizer não apenas a verdade, mas também mentir – explica por que a história do homem é, em sua essência, uma corrente de desastres. “O povo romeno [diz Cioran numa carta a seu irmão] não está no nível da língua que fala”.

Mas o próprio homem como espécie não está no nível da língua que emprega. Toda a história desta espécie é uma expressão de uma fraude lingüística.

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