Ciberpunk, biopunk, mannerpunk, splatterpunk, steampunk, pós-ciberpunk…

Ciberpunk, biopunk, mannerpunk, splatterpunk, steampunk, pós-ciberpunk…

Trinta anos atrás ou quase, um sujeito chamado Bruce Bethke escrevia uma história sobre hackers adolescentes e a batizou de ‘Ciberpunk’… de lá para cá, muita coisa aconteceu, livros foram escritos, filmes levaram para a telona (e para as grandes platéias) ideias perturbadoras sobre um futuro distópico tecnológico.

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Trinta anos atrás ou quase, um sujeito chamado Bruce Bethke escrevia uma história sobre hackers adolescentes e a batizou de ‘Ciberpunk’… de lá para cá, muita coisa aconteceu, livros foram escritos, filmes levaram para a telona (e para as grandes platéias) ideias perturbadoras sobre um futuro distópico tecnológico.


 

Ciberpunk

União de ‘cibernética’ e ‘punk’, um sub-gênero da Ficção Científica com foco em tecnologia avançada, usualmente associada a ruptura da ordem social.

Em um conto ciberpunk encontramos hackers, inteligência artificial e mega-corporações, sendo uma tendência localizar a ação em um futuro próximo.

No meio da década de 80, o ciberpunk se tornou um tópico nos círculos acadêmicos e objeto de estudo e investigação dos pós-modernos, na mesma época, chegou até Hollywood e se estabeleceu como um estilo cinematográfico. Filmes como Blade Runner e Matrix foram concebidos dentro da estética visual apregoada pelo movimento.

No início dos anos 90, seus reflexos já eram visiveis nos games e também na música. Uma larga variedade de escritores inicialmente dentro dos conceitos do ciberpunk, começaram a expandi-lo, gerando outros sub-gêneros como o Steampunk.

O mundo distópico é a antítese às visões utópicas dos anos 40 e 50 (Gibson definiu que o ciberpunk antipatiza com a Ficção Científica utópica, como em ‘The Gernsback Continuum’, onde ele de certa forma, condena a antiga FC).

“Tudo que os cientistas podem fazer a um rato, pode ser feito a um ser humano. E fechar os olhos não vai tornar as coisas mais fáceis. Isso é ciberpunk!” (Bruce Sterling)

Muito da literatura ciberpunk se concentra em ações no espaço virtual, confundindo realidade com virtualidade. Outro aspecto característico é a interface cérebro humano e máquina, através da ciência. O cibermundo é sombrio, redes de computadores dominam todos os aspectos da vida.

Gigantescas corporações tomaram o lugar de governos, economicamente, politicamente e militarmente falando. A batalha contra o autoritarismo é um tema comum na ciberficção em particular, ao invés da FC convencional, onde os estados totalitários tendem a ser estéreis, ordenados e controladores.

Na visão ciberpunk, o hacker é o herói solitário, lutando contra as injustiças do mundo.

Um destes tipos mais significativos é Case, de Neuromancer. Um ‘cowboy de console’, brilhante hacker, que é traido por seus parceiros da organização criminal. Como Case, os protagonistas são manipulados e se encontram em situações onde suas chances de sobreviver são poucas, são anti-heroís, se parecem mais com os detetives de romances, envolvidos em complicados casos e quase sempre terminam sem uma recompensa justa.

Esta ênfase que Thomas Pynchon chamava de ‘preteridos’ e Frank Zappa, ‘os esquecidos pela Grande Sociedade’ , é o elemento punk.

Ciberpunk é uma metáfora dos dias modernos, sobre governos corruptos e mega-impérios financeiros, alienação e subjulgação à tecnologia, expressando um senso de rebelião.

‘O Ciberpunk é a Ficção Científica da contra-cultura.’ (David Brin)

O editor Gardner Dozois é reconhecido como a pessoa que popularizou o termo ‘ciberpunk’.
Entre as obras mais representativas, encontramos ‘Mirrorshades’ de Bruce Sterling, ‘Splendid Chaos’ de John Shirley, ‘Neuromancer’ de William Gibson, ‘Spaceland’ de Rudy Rucker e ‘Metrophage’ de Richard Kadrey.

O escritor David Brin descreveu o ciberpunk como “a mais elaborada campanha de promoção vinculada ao gênero Ficção Científica”.

Aos poucos, estes escritores perceberam que o ciberpunk não era uma revolução, ou algum tipo de filosofia que invadia a FC, mas apenas outro ‘sabor’ da FC.


 

Biopunk

Uma combinação de ‘Biologia’ e ‘Punk’, Biopunk é um sub-gênero da Ficção Cientifica que utiliza elementos que vão desde os romances ‘noir’ de detetives ao anime (desenhos animados japoneses).

Descreve a face mais underground da sociedade bio-tecnológica, que começou a surgir na primeira década do século 20.

Ao contrário do ciberpunk, não se interessa por tecnologias de informação, mas por biologia, individuos que são aprimorados, mas não por partes mecânicas, mas por engenharia genética.

Um dos mais proeminentes escritores deste campo é Paul Di Dilippo, famoso pela sua coletânea ‘Ribofunk’, nome retirado de um dos elementos do ARN (ácido ribonucléico).

Os livros de S.Andrew Swann, com sua série ‘Moreau’ são um bom exemplo, onde através da engenharia genética, seus personagens são seres do submundo, na linha detetivesca de Raymond Chandler. O conto ‘Eyes of Heisenberg’ de Frank Herbert trata de cidadãos controlados pelo ‘OPTIMEN’ ou líderes geneticamente elaborados e que vivem centenas de anos.
Os filmes Gattaca, Innerspace e os trabalhos de David Cronenberg (Videodrome) e Koichi Ohata (Genocyber) podem ser exemplos do cinema biopunk.


 

Mannerpunk

Apesar do nome ‘mannerpunk’ ser uma alusão ao ciberpunk, trata-se de um sub-gênero da literatura de fantasia. O termo foi primeiro usado pelo critico Donald G.Keller em um ensaio ‘The manner of Fantasy’ em Abril de 1991.

Ellen Kushner talvez seja o nome que melhor define o mannerpunk. Quase todos seus romances podem ser considerados como ficção histórica, e o seu livro ‘Swordpoint’ (1987) é a síntese do gênero.

Entre outros, vale a pena destacar ‘The Anvil of the world’ de Kage Baker, ‘To reign in Hell’ de Steven Brust e ‘War for the oaks’ de Emma Bull.

A típica história de fantasia mannerpunk envolve uma aventura romântica que em algum ponto se torna uma crítica social. Magia, criaturas legendárias, outras raças, não são o ponto principal do gênero, apesar de fazer parte (ou não). Por este motivo, algumas vezes os livros de mannerpunk são chamados de ficção histórica.


 

Splatterpunk

 

Splatterpunk é um neologismo que descreve um sub-gênero da ficção de terror, distinta pela exarcebação da violência.

O termo foi criado pelo crítico de pop-cultura David J.Schow nos meados dos anos 80.

Clive Barker é comumente citado como o escritor mais conhecido por sua série ‘Books of blood’. Outros livros fundamentais são ‘Scream’ de John Skipp e Craig Spector, ‘Pas de Deux’ de Kathe Koja e ‘Darkness divided’ de John Shirley.

As histórias possuem uma caracteristica comum, de serem intensamente perturbantes e as vezes até desagradaveis, diferenciando-se do terror clássico de autores como Stephen King, Dean Koontz e John Saul.

O splatterpunk é mal-comportado, quer chocar, não é complacente às fórmulas financeiramente bem sucedidas e seguras da ficção de terror. Ele é mais influenciado pelos rebeldes e marginais. por mestres do rock-horror como Alice Cooper, o punk rock dos Sex Pistols e filmes como ‘O massacre da serra elétrica’.


 

Steampunk

(Steam = Vapor)

Steampunk é um sub-gênero da FC, onde as histórias se passam em um mundo aparentemente alternativo do nosso passado, semelhante historicamente à era Vitoriana.

Como no ciberpunk, a sociedade Steampunk é tipicamente distópica, com elementos noir e da ficção ‘pulp’.

Sociedades secretas e teorias conspiratórias são usualmente apresentadas e ainda podem incluir elementos de fantasia. Frequentemente encontramos o horror lovecraftiano, o oculto e o gótico como influências.

O atual crescimento da popularidade do gênero se deve principalmente aos filmes e revistas em quadrinhos (comics), aos trabalhos de artistas como Hayao Miyazaki e Alan Moore/Kevin o’Neill (League of Extraordinary Gentlemen).

Alguns dos titulos mais conhecidos são: ‘The Difference Engine’ de William Gibson & Bruce Sterling, ‘The Light Ages’ de Ian R. MacLeod, ‘Automated Alice’ de Jeff Noon, ‘Iron Council’ de China Miéville, a série ‘Age of Unreason’ de Gregory Keyes, ‘Homunculus’ de James Blaylock, ‘Anti-Ice’ de Stephen Baxter, ‘Souls in the great machine’, de Sean McMullen, ‘The Anubis Gates’ de Tim Powers e ‘Titus Groan’ de Mervyn Peake

Uma vertente muito comum é o ‘Western Steampunk’, uma cientificação ficcional do western americano, vistos em ‘The Wild Wild West’ e ‘Adventures of Brisco County’. Outra é a Fantasia Steampunk de China Mielville, combinando magia e tecnologia à vapor.


 

Pós-ciberpunk
O Pós-ciberpunk, como seu predecessor ciberpunk, se concentra no desenvolvimento tecnológico em um futuro próximo, onde vemos os efeitos da dinamização das telecomunicações, da engenharia genética e da nanotecnologia.

A principal diferença em relação ao ciberpunk, está na atitude dos protagonistas, que defendem a união harmônica (utópica) com a tecnologia.

Exemplos de literatura pós-ciberpunk: ‘Down and Out in the Magic Kingdom’ de Cory Doctorow, ‘Permutation City’ de Greg Egan, ‘Beggars in Spain’ de Nancy Kress, ‘Fairyland’ de Paul J. McAuley, ‘Market Forces’ de Richard K. Morgan, ‘Singularity Sky’ de Charles Stross e a série ‘Otherland’ de Tad Williams.

O termo foi usado pela primeira vez em 1991, para descrever o romance ‘Snow Crash’ de Neal Stephenson. Em 1998, Lawrence Person publicava o artigo chamado ‘Notes toward a postcyberpunk manifesto’ em uma revista de pouca circulação chamada Nova Express, e no ano seguinte o mesmo artigo chegava ao popular site Slashdot. O artigo defendia a necessidade do gênero, assim como o ciberpunk já fora uma resposta à Space-Opera e a FC dos anos 70 e 80.


 

Fonte: aqui

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