Brasileiros dedicam menos de seis horas por semana a leitura

Brasileiros dedicam menos de seis horas por semana a leitura

O tempo que os brasileiros dedicam à leitura diminuiu no decorrer dos anos. Metade da população do país é formada por pessoas que não têm o costume de ler. Segundo última pesquisa do site de pesquisas NOP World, em um ranking com 30 países, o Brasil está em 27º lugar no tópico tempo gasto com a leitura. O primeiro colocado é a Índia, que dedica 10h42min por semana aos livros. Já os brasileiros gastam menos da metade desse tempo, apenas 5h12min por semana. A campeã por aqui é mesmo a televisão: cada brasileiro gasta em média 18h40min semanais diante da TV.

O Brasil também perde para os vizinhos sul-americanos. Nossa taxa de leitura média, por pessoa, é de quatro livros ao ano. Na Argentina, por exemplo, são 4,6 livros lidos. No Chile, a média é ainda maior, são 5,6 livros por pessoa.

Publicado no Primeira Edição [via Correio Braziliense]

O tempo que os brasileiros dedicam à leitura diminuiu no decorrer dos anos. Metade da população do país é formada por pessoas que não têm o costume de ler. Segundo última pesquisa do site de pesquisas NOP World, em um ranking com 30 países, o Brasil está em 27º lugar no tópico tempo gasto com a leitura. O primeiro colocado é a Índia, que dedica 10h42min por semana aos livros. Já os brasileiros gastam menos da metade desse tempo, apenas 5h12min por semana. A campeã por aqui é mesmo a televisão: cada brasileiro gasta em média 18h40min semanais diante da TV.

O Brasil também perde para os vizinhos sul-americanos. Nossa taxa de leitura média, por pessoa, é de quatro livros ao ano. Na Argentina, por exemplo, são 4,6 livros lidos. No Chile, a média é ainda maior, são 5,6 livros por pessoa.

Alguns países têm iniciativas interessantes vindas da própria população para incentivar o hábito de ler. Em um município da Romênia, por exemplo, o jovem Victor Miron apresentou uma proposta para o prefeito da cidade, Emil Boc, de oferecer transporte público gratuito para as pessoas que lessem livros dentro do ônibus. O prefeito aprovou a ideia e a ação foi feita durante três dias de junho.

Outra forma de incentivo foi do barbeiro norte-americano Courtney Holmes de Dubuque, Iowa. Na véspera da volta às aulas, em agosto deste ano, Courtney resolver cortar o cabelo gratuitamente das crianças que lessem histórias para ele. Mais de 20 crianças iam à barbearia todos os dias participar da promoção.

No Brasil, algumas pessoas também apresentam iniciativas como essas. Um dos exemplos na capital do país, em Brasília, é de um açougue cultural conhecido como T-Bone. O estabelecimento promove nas paradas de transporte público e no próprio açougue uma mini biblioteca gratuita; a população pega e doa livros, sem precisar fazer cadastro ou qualquer outra burocracia. Mesmo com ações como essa, a vontade de ler da maioria dos brasileiros não cresceu.

De acordo com o último estudo divulgado pelo Instituto Pró-Livro, em 2012, o percentual de leitores caiu, desde 2007 até o ano da pesquisa, em todas as regiões do país, com exceção do Nordeste que subiu de 50% para 51%. O principal motivo apontado pelos entrevistados para a pouca leitura foi a falta de tempo e, em segundo, o desinteresse pela atividade.

O Centro-Oeste é a região com o maior percentual de redução nesses anos. Em 2007, 59% da população se classificavam como leitores. Em 2012, esse percentual caiu para 43%. Leitores, considerados pela pesquisa, são aquelas pessoas que leram ao menos um livro inteiro ou parcialmente nos últimos três meses.

Essa falta de hábito para a leitura se reflete também na educação. O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que busca medir o conhecimento e a habilidade em leitura, matemática e ciências de estudantes com 15 anos, divulgou relatórios com desempenho dos alunos em 2009 e 2013. No primeiro estudo, o Brasil estava em 53º entre 65 países no ranking de leitura nas escolas. Em 2013, caiu duas colocações, e ficou em 55º lugar, abaixo de países como Chile, Uruguai, Romênia e Tailândia.

De acordo com a mestre em literatura Maria Luzineide Ribeiro, a formação do leitor é deficitária no Brasil, as pessoas não são preparadas para todos os tipos de leitura. “Os professores se preocupam muito mais com o ensino da gramática e a leitura fica engessada. Em casa, as crianças, na maioria das vezes, não são incentivadas pelos pais”, explica Maria.

Outro problema apontado pela especialista é a dificuldade dos brasileiros de fazer grandes leituras. “Mesmo as pessoas utilizando muito as mídias, são leituras rápidas e pequenas”. Como tentativas de reverter esse quadro, Maria defende maior valorização dos professores, incentivo continuado por parte das escolas e das famílias, maior acesso aos livros e bibliotecas não só como depósito de livros, mas como espaço para diálogos.

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