Boris Godunov – Aleksandr Sierguêievitch Púchkin

Boris Godunov – Aleksandr Sierguêievitch Púchkin

Esta é a primeira tradução direta do russo, a peça Boris Godunov (1831), a mais importante obra teatral de Aleksander Púchkin, o grande poeta da Rússia. O tradutor Irineu Franco Perpétuo – que também assina as notas e o posfácio e traduziu Pequenas tragédias, igualmente de Púchkin – escreveu ainda a cronologia do autor.
A peça de Púchkin é inspirada em tragédias de Shakespeare, como Macbeth, Henrique V e Ricardo III. E, por sua vez, inspirou a mais importante ópera russa de todos os tempos, composta por Modest Mussorgsky. O contexto é um período conturbado da história russa, conhecido como “Tempo das Perturbações”. Trata-se do longo legado trágico do reinado de Ivan, o Terrível (1530-1584), que, ao assassinar o próprio filho e sucessor, abre uma caixa de Pandora verdadeiramente shakespeareana. Tudo começa com as dúvidas sobre o outro filho de Ivan, tido como doente mental. Isso inaugura um longo problema sucessório que desencadeará inúmeros acontecimentos e mobilizará vários personagens ao longo das décadas seguintes, de parentes reais a regentes, passando por impostores que, passando-se por um príncipe desaparecido (assassinado), lograrão subir ao trono para serem mortos em seguida. Boris Godunov (1551-1605) é um dos principais personagens históricos do período, tendo sido um poderoso regente real.
Além de Shakespeare, do romantismo alemão, do teatro tradicional do país e da poesia nacional (a peça tenta aproximar as influências externas da cultura russa), Púchkin baseou-se num clássico da historiografia russa, então recém-publicado, a História do Estado Russo, do historiador Nikolai Karamzin (1766-1826), para sintetizar os principais personagens e episódios desses anos conturbados. Em mais de um sentido: pois além de personagens palacianos, esses também são anos com turbas, ou seja, multidões enfurecidas que, aproveitando-se do caos político e da incerteza, além do desejo eventual de linchar o responsável por esse ou aquele crime palaciano, fazem inúmeras aparições, ensejando mais derramamento de sangue na repressão subseqüente. Na síntese do próprio Puchkin: “A exemplo de Shakespeare, eu me limitei a desenvolver uma época e personagens históricos, sem buscar os efeitos teatrais, o patético, o romanesco etc.. O estilo é misturado. Ele é trivial e baixo onde eu fui obrigado a fazer intervir personagens vulgares e grosseiros”. Púchkin não precisou procurar efeito algum, pois a história, neste caso, já fornecia a ele mais do que um autor trágico poderia esperar.

Boris Godunov - Aleksandr Sierguêievitch PúchkinEsta é a primeira tradução direta do russo, a peça Boris Godunov (1831), a mais importante obra teatral de Aleksander Púchkin, o grande poeta da Rússia. O tradutor Irineu Franco Perpétuo – que também assina as notas e o posfácio e traduziu Pequenas tragédias, igualmente de Púchkin – escreveu ainda a cronologia do autor. 
A peça de Púchkin é inspirada em tragédias de Shakespeare, como Macbeth, Henrique V e Ricardo III. E, por sua vez, inspirou a mais importante ópera russa de todos os tempos, composta por Modest Mussorgsky. O contexto é um período conturbado da história russa, conhecido como “Tempo das Perturbações”. Trata-se do longo legado trágico do reinado de Ivan, o Terrível (1530-1584), que, ao assassinar o próprio filho e sucessor, abre uma caixa de Pandora verdadeiramente shakespeareana. Tudo começa com as dúvidas sobre o outro filho de Ivan, tido como doente mental. Isso inaugura um longo problema sucessório que desencadeará inúmeros acontecimentos e mobilizará vários personagens ao longo das décadas seguintes, de parentes reais a regentes, passando por impostores que, passando-se por um príncipe desaparecido (assassinado), lograrão subir ao trono para serem mortos em seguida. Boris Godunov (1551-1605) é um dos principais personagens históricos do período, tendo sido um poderoso regente real.
Além de Shakespeare, do romantismo alemão, do teatro tradicional do país e da poesia nacional (a peça tenta aproximar as influências externas da cultura russa), Púchkin baseou-se num clássico da historiografia russa, então recém-publicado, a História do Estado Russo, do historiador Nikolai Karamzin (1766-1826), para sintetizar os principais personagens e episódios desses anos conturbados. Em mais de um sentido: pois além de personagens palacianos, esses também são anos com turbas, ou seja, multidões enfurecidas que, aproveitando-se do caos político e da incerteza, além do desejo eventual de linchar o responsável por esse ou aquele crime palaciano, fazem inúmeras aparições, ensejando mais derramamento de sangue na repressão subseqüente. Na síntese do próprio Puchkin: “A exemplo de Shakespeare, eu me limitei a desenvolver uma época e personagens históricos, sem buscar os efeitos teatrais, o patético, o romanesco etc.. O estilo é misturado. Ele é trivial e baixo onde eu fui obrigado a fazer intervir personagens vulgares e grosseiros”. Púchkin não precisou procurar efeito algum, pois a história, neste caso, já fornecia a ele mais do que um autor trágico poderia esperar.

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