Atrás das grades: veja livros marcantes escritos em prisões

Atrás das grades: veja livros marcantes escritos em prisões

Um dos livros mais polêmicos da literatura mundial completa 90 anos de publicação neste sábado: Mein Kampf , de Adolf Hitler. Lançada em 18 de julho de 1925, a obra é considerada base do governo nazista na Alemanha até o fim da Segunda Guerra Mundial e foi produzida durante o período em que o general austríaco estava preso.

No entanto, Mein Kampf não foi o único livro escrito em prisões. Outros, muito mais edificantes para a humanidade, também foram gestados durante períodos em que os autores cumpriam penas, por diversos motivos, nem sempre muito justos. O Terra listou alguns deles, confira!

Do livro de Hitler a Dom Quixote, obras marcantes da literatura mundial nasceram enquanto seus autores estavam na cadeia

Publicado no Terra

Um dos livros mais polêmicos da literatura mundial completa 90 anos de publicação neste sábado: Mein Kampf , de Adolf Hitler. Lançada em 18 de julho de 1925, a obra é considerada base do governo nazista na Alemanha até o fim da Segunda Guerra Mundial e foi produzida durante o período em que o general austríaco estava preso.

No entanto, Mein Kampf não foi o único livro escrito em prisões. Outros, muito mais edificantes para a humanidade, também foram gestados durante períodos em que os autores cumpriam penas, por diversos motivos, nem sempre muito justos. O Terra listou alguns deles, confira!


 

Mein Kampf (Adolf Hitler)

O livro, cujo título em tradução livre significa “Minha Luta”, foi “concebido” por Hitler na década de 1920, no período em que o general austríaco estava na prisão. Na obra, que conta detalhes autobiográficos, há ampla difusão de um conteúdo antissemita e racialista, que se tornaram a base do governo nazista do Führer na Alemanha até a derrota do país na Segunda Guerra Mundial. O livro é assinado por Hitler, mas não foi tecnicamente escrito por ele: o general ditou o conteúdo para Emmil Maurice e posteriormente para Rudolf Hess.

Memórias do Cárcere (Graciliano Ramos)

Nesta obra, o escritor brasileiro Graciliano Ramos relata o período em que ficou preso entre 1936 e 1937, durante a ditadura de Getúlio Vargas, acusado de ser comunista. Muitas passagens escritas pelo autor foram destruídas ainda na cadeia, o que impediram que um livro ainda mais amplo fosse produzido. A obra só foi publicada em 1953, após a morte de Graciliano.

Dom Quixote (Miguel de Cervantes)

Uma das maiores obras da literatura mundial também foi produzida enquanto o autor estava atrás das grades. Foi durante a prisão, no final do século 16 por conta de dívidas exorbitantes, que o espanhol Miguel de Cervantes y Saavedra começou a escrever a deliciosa trama do fidalgo tresloucado Dom Quixote de la Mancha e de seu fiel escudeiro Sancho Pança. A primeira parte do livro foi publicada em 1605. Dom Quixote está disponível na versão infantil na Nuvem de Livros.

De Profundis (Oscar Wilde)

Condenado à prisão por “comportamento indecente e sodomia” no final do século 19, por conta de sua opção sexual, Oscar Wilde escreveu a obra De Profundis enquanto cumpria pena. Trata-se de uma longa carta que o escritor, poeta e dramaturgo não foi autorizado a entregar a epístola, endereçada ao seu então amante Alfred Douglas, mas recebeu a permissão de levar consigo os manuscritos quando deixou o cárcere. Na Nuvem de Livros, você pode ler De Profundis e outras obras de Oscar Wilde.

Epístolas da Prisão (Apóstolo Paulo)

Uma obra bíblica também foi escrita no cárcere: o apóstolo Paulo de Tarso. Quatro das 14 epístolas associadas a Paulo, pertencentes ao Novo Testamento, foram escritas durante o seu período na prisão: Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemon.

Recordação da Casa dos Mortos (Fiodor Dostoievski)

Um dos maiores autores de todos os tempos, Fiodor Dostoievski também escreveu durante os nove anos que passou cumprindo pena, preso e depois exilado. O romance foi publicado em 1862 e contém um relato da experiência do escritor russo no cárcere na região da Sibéria, onde cumpriu pena de prisão e trabalhos forçados após quase ter sido fuzilado (minutos antes da execução, sua pena de morte acabou sendo substituída pela prisão siberiana). Ele também publicou, em 1864, outra obra com conteúdo semelhante: Memórias do Subsolo.

Carta de uma prisão em Birmingham (Martin Luther King Jr)

O ativista Martin Luther King Jr, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1964, foi preso na cidade americana de Birmingham por protestar sem permissão. Durante seu confinamento, escreveu a carta em resposta a clérigos dos Estados Unidos que aconselhavam os negros americanos lutassem por igualdade a partir dos tribunais, e não por meio de manifestações. É uma das obras mais importantes de Luther King.

Cartas do Cárcere e Cadernos do Cárcere (Antonio Gramsci)

O filósofo e cientista político Antonio Gramsci também contribuiu para a literatura mundial durante o período em que esteve preso por conta da oposição à ditadura fascista italiana. Em Cartas do Cárcere , há mensagens escritas para a pessoas próximas; já Cadernos do Cáceres trata-se de reflexões do autor, e a obra foi desmembrado em seis volumes publicados postumamente. Na Nuvem de Livros está disponível a obra de Gramsci Americanismo e Fordismo .

Justine (Marquês de Sade)

O escritor, cujo nome deu origem à expressão “sadismo” (obtenção de prazer sexual com a dor física do parceiro), escreveu a maioria de suas obras enquanto estava nas prisões da Bastilha, em Paris. No entanto, Justine foi uma das mais emblemáticas e é considerado um de seus principais livros.

Cancioneiro e Romanceiro de Ausências (Miguel Hernández)

O autor espanhol cumpria pena quando começou a escrever esta obra – a sua última de poesias, sendo publicada postumamente. Ele sequer chegou a conclui-la, pois morreu enquanto cumpria pena em 1942, aos 31 anos, por ser opositor à ditadura franquista na Espanha.

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