Amor a céu aberto – Flora Figueiredo

Amor a céu aberto – Flora Figueiredo

“Eis uma coletânea de poemas de forte contemporaneidade. Nela a temática se propõe revestida dos sinais que ligam o leitor aos objetos do cotidiano. Vejam-se os poemas Leite Moça e Fax, que se abre notavelmente: “Avise ao mundo que estou para chegar.” Leve e alegre ironia controla o transbordamento sentimental: “Embarco num ponto de exclamação!”, diz o poema Pontuação. Há quem sustente que a poesia é justamente o campo da exclamação. Aqui o coloquial desmonta o aparato da retórica melodramática: “não sei nadar, nem falo alemão”, diz a poeta em Ao leitor desconhecido. E Flora Figueiredo não se contenta com a parte confessional de suas composições. Abre as janelas para exprimir seu espanto vivencial, ao traduzir o convívio com os outros. É por aí que a dimensão social se anuncia. O poema A fila celebra um dos traços da massificação programada. E, em Tema antigo, ela introduz uma singularidade que tem amplitude global, ao simbolizar o estrato excluído dos favores da civilização: “Mas caco de vidro, cuspe, navalha, boné / malandro, menino, bandalho, Zé.”

Amor a céu aberto - Flora Figueiredo“Eis uma coletânea de poemas de forte contemporaneidade. Nela a temática se propõe revestida dos sinais que ligam o leitor aos objetos do cotidiano. Vejam-se os poemas Leite Moça e Fax, que se abre notavelmente: “Avise ao mundo que estou para chegar.” Leve e alegre ironia controla o transbordamento sentimental: “Embarco num ponto de exclamação!”, diz o poema Pontuação. Há quem sustente que a poesia é justamente o campo da exclamação. Aqui o coloquial desmonta o aparato da retórica melodramática: “não sei nadar, nem falo alemão”, diz a poeta em Ao leitor desconhecido. E Flora Figueiredo não se contenta com a parte confessional de suas composições. Abre as janelas para exprimir seu espanto vivencial, ao traduzir o convívio com os outros. É por aí que a dimensão social se anuncia. O poema A fila celebra um dos traços da massificação programada. E, em Tema antigo, ela introduz uma singularidade que tem amplitude global, ao simbolizar o estrato excluído dos favores da civilização: “Mas caco de vidro, cuspe, navalha, boné / malandro, menino, bandalho, Zé.”

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