A Província das Trevas – Daniel Arsand

A Província das Trevas – Daniel Arsand

Eis aqui um romance fabuloso, em todos os sentidos. Cheio de peripécias imaginosas, este A província das trevas foi recebido com aplausos pela crítica francesa e deu ao seu autor, Daniel Arsand, o Prêmio Femina de 1998 – e prêmio na França significa sucesso de público. A qualidade justifica todo o bater de teclas a seu favor. É um primor de narrativa, que flui a cada linha. Fluência, aliás, plenamente transposta para esta tradução brasileira. A história começa na Armênia em 1294, num século (o XIII) consagrado aos negócios e à fé ardente, quando um certo ou incerto rei franciscano Hetum II, sem saber o que fazer diante dos nacionalistas que o acusavam de dobrar a espinha às ordens de um papa, teve a luminosa idéia de enviar uma caravana a Pequim para levar a cristandade ao império de Kublai, que se considerava o soberano do planeta. Para tanto ele nomeou embaixador do Sumo Pontífice Nicolau IV um inescrupuloso mercador de Veneza chamado Montefoschi. Sua missão: ir à China acompanhado de um monge de 20 anos, Vartan Ovanessian, iluminador que tinha como única ambição pintar as maravilhas do mundo. A eles se juntaria um malfeitor punido com a castração por suas ladroagens, um charlatão franco e mais uma tropa de armênios, mongóis e judeus, que iriam se revelar uma corja ordinária de devassos cruéis. A longa marcha por desertos de areia e neve resulta em insana. Evoluindo lentamente como seres fantasmagóricos, os viajantes – bárbaros aventureiros em busca de uma história, de uma qualificação e de um destino – formam um agrupamento humano sem mulheres, para o qual o desejo não faz distinção de sexo. E tudo para eles – prazer, amor, dominação, glória, sonhos – acaba desaparecendo sem deixar sinais. Todos se arrastam pela estrada da loucura e da morte, onde são abatidos por pavorosas enfermidades ou devorados por ferozes lobos. A história termina em extremos gelados, entre as estepes da Mongólia e as florestas da Sibéria. Na Província das trevas, habitada por fantasmas e governada pelos espíritos. Nesse universo indecifrável e múltiplo, pleno de aventuras e desventuras, Daniel Arsand parece querer refazer, a contrapelo, as viagens de Marco Polo. E fez disso um romance fantástico.

Eis aqui um romance fabuloso, em todos os sentidos. Cheio de peripécias imaginosas, este A província das trevas foi recebido com aplausos pela crítica francesa e deu ao seu autor, Daniel Arsand, o Prêmio Femina de 1998 – e prêmio na França significa sucesso de público. A qualidade justifica todo o bater de teclas a seu favor. É um primor de narrativa, que flui a cada linha. Fluência, aliás, plenamente transposta para esta tradução brasileira. A história começa na Armênia em 1294, num século (o XIII) consagrado aos negócios e à fé ardente, quando um certo ou incerto rei franciscano Hetum II, sem saber o que fazer diante dos nacionalistas que o acusavam de dobrar a espinha às ordens de um papa, teve a luminosa idéia de enviar uma caravana a Pequim para levar a cristandade ao império de Kublai, que se considerava o soberano do planeta. Para tanto ele nomeou embaixador do Sumo Pontífice Nicolau IV um inescrupuloso mercador de Veneza chamado Montefoschi. Sua missão: ir à China acompanhado de um monge de 20 anos, Vartan Ovanessian, iluminador que tinha como única ambição pintar as maravilhas do mundo. A eles se juntaria um malfeitor punido com a castração por suas ladroagens, um charlatão franco e mais uma tropa de armênios, mongóis e judeus, que iriam se revelar uma corja ordinária de devassos cruéis. A longa marcha por desertos de areia e neve resulta em insana. Evoluindo lentamente como seres fantasmagóricos, os viajantes – bárbaros aventureiros em busca de uma história, de uma qualificação e de um destino – formam um agrupamento humano sem mulheres, para o qual o desejo não faz distinção de sexo. E tudo para eles – prazer, amor, dominação, glória, sonhos – acaba desaparecendo sem deixar sinais. Todos se arrastam pela estrada da loucura e da morte, onde são abatidos por pavorosas enfermidades ou devorados por ferozes lobos. A história termina em extremos gelados, entre as estepes da Mongólia e as florestas da Sibéria. Na Província das trevas, habitada por fantasmas e governada pelos espíritos. Nesse universo indecifrável e múltiplo, pleno de aventuras e desventuras, Daniel Arsand parece querer refazer, a contrapelo, as viagens de Marco Polo. E fez disso um romance fantástico.

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