A Invenção do Dia Claro – Almada Negreiros

A Invenção do Dia Claro – Almada Negreiros

Simultaneamente poesia, prosa e arte poética, A Invenção do Dia Claro (1921), de Almada-Negreiros, nas suas máximas, parábolas narrativas e descritivas, pontuada por ditos seus ou alheios (Rimbaud, Hermes Trimegista), num discurso aparentemente incoerente, desvelado por “aproximações sucessivas” (cf. SENA, Jorge de in Obras Completas de Almada Negreiros, vol. I, Lisboa, INCM, 1985, p. 17), aponta como grande démarche para a escrita a exigência de “verdade”. Ao mesmo tempo, a coesão interna do livro assenta, segundo Jorge de Sena, no “tom de menino pequeno que está a falar com a sua mãe”, o que torna este texto modelar relativamente a uma característica “profunda da linguagem de Almada Negreiros, que é a de uma simplificação no sentido, não dum primitivismo propriamente, mas do que nós poderíamos dizer duma sofisticação da sua simplicidade.” (id. ibi.). Situando este texto na totalidade da obra de Almada Negreiros, para Celina Silva “A Invenção do Dia Claro, poema lírico e parabólico, de maneira anversa, neutralizante, à de ‘A Cena do Ódio’, dá conta de um saber adquirido pela via iniciática, cuja transmissão é inadiável; performance, assume-se enquanto oralidade plena, em si mesma reatualizar da palavra primordial, pensamento e ação consubstanciados no verbo, reunião de poesia e profecia. A modernidade, posicionamento crítico, patenteia-se pela ânsia de absoluto na expressão, na qual a memória (re)assume o seu cariz de matriz sapiental que o mito, ab initio, lhe conferia”. (cf. SILVA, Celina – A Busca de Uma Poética da Ingenuidade ou a (Re)Invenção da Utopia (Reflexão Sistematizante acerca da Produção Literária de José de Almada Negreiros, Porto, Faculdade de Letras, 1992, 300-301).

Simultaneamente poesia, prosa e arte poética, A Invenção do Dia Claro (1921), de Almada-Negreiros, nas suas máximas, parábolas narrativas e descritivas, pontuada por ditos seus ou alheios (Rimbaud, Hermes Trimegista), num discurso aparentemente incoerente, desvelado por “aproximações sucessivas” (cf. SENA, Jorge de in Obras Completas de Almada Negreiros, vol. I, Lisboa, INCM, 1985, p. 17), aponta como grande démarche para a escrita a exigência de “verdade”. Ao mesmo tempo, a coesão interna do livro assenta, segundo Jorge de Sena, no “tom de menino pequeno que está a falar com a sua mãe”, o que torna este texto modelar relativamente a uma característica “profunda da linguagem de Almada Negreiros, que é a de uma simplificação no sentido, não dum primitivismo propriamente, mas do que nós poderíamos dizer duma sofisticação da sua simplicidade.” (id. ibi.). Situando este texto na totalidade da obra de Almada Negreiros, para Celina Silva “A Invenção do Dia Claro, poema lírico e parabólico, de maneira anversa, neutralizante, à de ‘A Cena do Ódio’, dá conta de um saber adquirido pela via iniciática, cuja transmissão é inadiável; performance, assume-se enquanto oralidade plena, em si mesma reatualizar da palavra primordial, pensamento e ação consubstanciados no verbo, reunião de poesia e profecia. A modernidade, posicionamento crítico, patenteia-se pela ânsia de absoluto na expressão, na qual a memória (re)assume o seu cariz de matriz sapiental que o mito, ab initio, lhe conferia”. (cf. SILVA, Celina – A Busca de Uma Poética da Ingenuidade ou a (Re)Invenção da Utopia (Reflexão Sistematizante acerca da Produção Literária de José de Almada Negreiros, Porto, Faculdade de Letras, 1992, 300-301).

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