A Inocência e o Pecado – Graham Greene

A Inocência e o Pecado – Graham Greene

A  Inocência e o Pecado (Brighton Rock, 1938)  é a história de um assassinato. Sob  a capa da trama policial e sem caráter moralizador, o autor trata do  bem e do mal.

A-Inocência-e-o-Pecado-Graham-GreeneO livro foi escrito durante um período histórico conturbado, em meio às duas grandes Guerras Mundiais, numa Europa em revolução. Contrapondo-se a esse cenário, a história se passa no pacato balneário de Brighton, Inglaterra, onde Hale – que personifica Kolley Kibber – tem uma peculiar missão: distribuir cartões do jornal Messenger, que podem ser trocados por dez xelins. Era uma espécie de gincana, muito comum naquele período, junto aos leitores. A calmaria diz respeito somente ao local, uma vez que a narrativa tem doses de suspense.

“Ainda não fazia três horas que Hale estava em Brighton quando compreendeu que pretendiam assassiná-lo”. É com essa frase forte que Greene começa seu romance. O título aborda a briga de duas gangues que lutam pelo domínio do jogo de apostas em corridas de cavalo na região. Hale estava marcado para morrer porque, de alguma forma, estava envolvido com o assassinato do líder Kite.

O perseguidor do jornalista é Pinkie, jovem de 17 anos, que consegue vingar a morte do líder quando Hale é deixado só, numa estação de trem, pela sensual Ida. Essa mulher, que até então era uma desconhecida do morto, assume a investigação, por conta própria, ao deparar com as circunstâncias estranhas que envolviam a morte do jornalista. Para ela, a versão noticiada nos jornais não era a verdadeira. Hale não teria morrido naturalmente, mas assassinado.

Já a jovem Rose entra nessa trama por acaso. Testemunha de um detalhe importante para os gângsters, ela é envolvida por Pinkie e acaba apaixonando-se. A contragosto, ele galanteia a mulher para garantir o seu silêncio e, com isso, sua impunidade.

Graham Greene permeia “A Inocência e o Pecado” com questões morais e religiosas, que são questionadas pelos próprios personagens. Segundo o prefácio do crítico literário Marcelo Pen, “costuma se dizer amiúde que Greene se apropriou da estrutura do romance policial para usá-la com uma finalidade, de foro ético ou metafísico, própria”.

 

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