a galatéia – Miguel de Cervantes

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Costuma-se classificar A Galatéia como um romance pastoril. Tal descrição é muito limitada. De fato, suas personagens são pastores, mas o livro é um veículo para um estudo psicológico do amor, e este era o propósito de Cervantes ao escrevê-lo.

Cervantes começou a escrever o romance provavelmente quando voltou de seu cativeiro em Argel (dezembro de 1580). Teve pouco êxito nas livrarias, sobretudo se se compara com o grande sucesso de Diana de Montemayor e o ainda maior de “Diana enamorada”, de Gaspar Gil Polo. Cervantes teve durante sua vida altíssimo conceito de seu romance, e planejava publicar a segunda parte, mas morreu sem conseguir fazê-lo.

O romance se ambienta em algum lugar – entre ideal e real – às margens do Tejo. Há uma trama principal e várias secundárias. Na principal, Elicio e Erastro são dois pastores enamorados de Galatéia, uma belíssima pastora que reúne todas as virtudes das heroínas cervantinas: discrição (isto é, inteligência e bom juízo), honestidade e bondade. Mas Galatéia adora sua independência espiritual e não quer se ver sujeita ao jugo amoroso; assim, desdenha os dois pastores.

Além de belos poemas e interessantes narrativas curtas intercaladas no tema principal (como Cervantes faría mais tarde também no Dom Quixote e o em Os trabalhos de Persiles e Sigismunda) encontramos duelos dialéticos jocosos sobre a natureza do amor (livro IV, os pastores Lenio e Tirsi fazem suas respectivas apologias do desamor e do amor), ou sobre a psicologia amorosa (livro III, Orompo, Marsilo, Crisio e Orfinio discutem, em verso, sobre qual paixão derivada do amor causa mais dor, se os ciúmes, o desdém, a saudade ou a morte do ser amado).

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