A Filha do General – Nelson Demille

A Filha do General – Nelson Demille

Como seria Twin Peaks passado numa base militar? Esta é a melhor definição possível para o suspense policial The General’s Daughter (A Filha do General , publicado nos EUA em 1992), escrito por Nelson DeMille. A versão cinematográfica foi estrelada por John Travolta e Madeleine Stowe. Assim como na série de tv Twin Peaks, a vítima é uma garota exemplar. No caso, Ann Campbell (Elisabeth Campbell no filme), loira, linda, esperta e uma oficial do exército. Além, é claro, de ser filha de um proeminente general e herói da guerra do Golfo. Mas a máscara cai quando Ann é encontrada morta, nua e amarrada num campo de treinamento da base militar. Os investigadores do exército Paul Brenner e Cynthia Sunhill são encarregados de desvendar um crime que vai se tornando mais delicado í medida que os suspeitos se acumulam – todos eles, diga-se de passagem, hierarquicamente superiores aos dois, a começar pelo próprio general. E assim como em Twin Peaks… bem, a investigação revela que a tal garota exemplar tinha uma vida paralela nada exemplar, um quartinho secreto menos exemplar ainda, e que a família feliz do general só faltava se estrangular durante o café da manhã. O suspense é mantido da primeira até a última página do livro, muito depois da identidade do assassino ter sido descoberta. Isto porque numa base militar nada é simples, e entre descobrir o culpado e conseguir sua prisão vai uma longa distância. Ainda mais quando todo mundo í sua volta tem um passado meio sujo e sabe um bocado sobre o passado sujo dos outros. O autor Nelson DeMille possui um extenso conhecimento sobre os procedimentos e regras do exército americano, sendo veterano da guerra do Vietnam. O que o levou a escrever The General’s Daughter, no entanto, foi a guerra do Golfo. “Eu fiquei impressionado pelo papel que as mulheres representaram na guerra, e nas Forças Armadas de maneira geral”, afirmou DeMille. Em sua época, as mulheres eram enfermeiras ou secretárias, e não competiam com os homens ou iam para a frente de batalha. Esta interavidade entre os sexos em ambientes militares intrigou o autor, que imaginou todos os problemas que poderiam decorrer dela. Sexo, intrigas, ciúmes, inveja, e por aí afora. Tudo permeado por palavras como honra, decoro, serviço e lealdade. Não é difícil perceber porque um livro como The General’s Daughter foi rapidamente arrematado por um estúdio de Hollywood, antes mesmo de sua publicação. A própria narrativa tem características de roteiro, e não será surpresa ver mais livros de DeMille não adaptados para o cinema.

A Filha do General – Nelson DemilleComo seria Twin Peaks passado numa base militar? Esta é a melhor definição possível para o suspense policial The General’s Daughter (A Filha do General , publicado nos EUA em 1992), escrito por Nelson DeMille. A versão cinematográfica foi estrelada por John Travolta e Madeleine Stowe. Assim como na série de tv Twin Peaks, a vítima é uma garota exemplar. No caso, Ann Campbell (Elisabeth Campbell no filme), loira, linda, esperta e uma oficial do exército. Além, é claro, de ser filha de um proeminente general e herói da guerra do Golfo. Mas a máscara cai quando Ann é encontrada morta, nua e amarrada num campo de treinamento da base militar. Os investigadores do exército Paul Brenner e Cynthia Sunhill são encarregados de desvendar um crime que vai se tornando mais delicado í medida que os suspeitos se acumulam – todos eles, diga-se de passagem, hierarquicamente superiores aos dois, a começar pelo próprio general. E assim como em Twin Peaks… bem, a investigação revela que a tal garota exemplar tinha uma vida paralela nada exemplar, um quartinho secreto menos exemplar ainda, e que a família feliz do general só faltava se estrangular durante o café da manhã. O suspense é mantido da primeira até a última página do livro, muito depois da identidade do assassino ter sido descoberta. Isto porque numa base militar nada é simples, e entre descobrir o culpado e conseguir sua prisão vai uma longa distância. Ainda mais quando todo mundo í sua volta tem um passado meio sujo e sabe um bocado sobre o passado sujo dos outros. O autor Nelson DeMille possui um extenso conhecimento sobre os procedimentos e regras do exército americano, sendo veterano da guerra do Vietnam. O que o levou a escrever The General’s Daughter, no entanto, foi a guerra do Golfo. “Eu fiquei impressionado pelo papel que as mulheres representaram na guerra, e nas Forças Armadas de maneira geral”, afirmou DeMille. Em sua época, as mulheres eram enfermeiras ou secretárias, e não competiam com os homens ou iam para a frente de batalha. Esta interavidade entre os sexos em ambientes militares intrigou o autor, que imaginou todos os problemas que poderiam decorrer dela. Sexo, intrigas, ciúmes, inveja, e por aí afora. Tudo permeado por palavras como honra, decoro, serviço e lealdade. Não é difícil perceber porque um livro como The General’s Daughter foi rapidamente arrematado por um estúdio de Hollywood, antes mesmo de sua publicação. A própria narrativa tem características de roteiro, e não será surpresa ver mais livros de DeMille não adaptados para o cinema.