A Barca de Gleyre – Monteiro Lobato

A Barca de Gleyre – Monteiro Lobato

Lançado em 1944 e republicado em dois tomos nas suas Obras completas, este volume compila cerca de quarenta anos da correspondência ativa de Monteiro Lobato com Godofredo Rangel. Um dos mais extensos testemunhos epistolares de que se tem notícia no país mostra toda uma trajetória de vida, da fase inicial dos sonhos e utopias juvenis ao desencanto da velhice, passando pela maturidade das lutas, conquistas e projetos realizados.

 A Barca de Gleyre - Monteiro Lobato Monteiro Lobato Memórias

 A Barca de Gleyre - Monteiro Lobato Monteiro Lobato Memórias   Houve um tempo em que se escreviam cartas. Ao contrário das rápidas trocas de mensagens por e-mail dos dias de hoje, elas podiam levar algum tempo para chegar. No entanto, aquelas correspondências tinham um outro nível de profundidade e sofisticação. Quando trocadas entre homens de letras, tornavam-se verdadeiras peças literárias que (lidas na distância das décadas) têm poder de envolver num cotidiano que parecia perdido.

Assim são as cartas que Monteiro Lobato trocou durante nada menos do que 45 anos com o amigo José Godofredo de Moura Rangel, e que estão reunidos no livro A Barca de Gleyre, que retorna às livrarias pela Editora Globo. O nome foi escolhido por causa de uma pintura, Ilusões Perdidas, de Charles Greyre (1808-1874), que está no Louvre.

As cartas começam em 1903 e falam de assuntos variados, das campanhas do ferro e do petróleo que Monteiro Lobato liderou às pequenas considerações sobre o cotidiano de cada um deles. No entanto, o maior interesse está sem dúvida na literatura. Numa época de efervescência de todos os “ismos”, as experiências de estilos mais radicais, que foi a primeira metade do século 20, a discussão estética tinha uma importância que ia além do campo das artes. As correntes literárias eram uma forma de estar no mundo, de se posicionar em todos os segmentos da vida social.

A correspondência que Lobato enviou para Rangel foi devolvida pelo amigo em 1943, com a insistente recomendação de que fosse publicada. Ele conhecia a potência da escrita do criador de tantas obras clássicas. E sabia como o público merecia este texto, que mostra o processo de toda uma vida, da juventude descompromissada até a maturidade, num rico resgate que o leitor atual volta a ter a oportunidade de conhecer.

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