8 trechos de livros que mudaram a vida de nossos leitores

8 trechos de livros que mudaram a vida de nossos leitores

Que trecho de livro mudou a sua vida? Com essa pergunta, estimulamos nossos leitores a compartilharem indicações através do Facebook e, abaixo, reunimos algumas das melhores.

André Jorge de Oliveira, na Galileu

Que trecho de livro mudou a sua vida? Com essa pergunta, estimulamos nossos leitores a compartilharem indicações através do Facebook e, abaixo, reunimos algumas das melhores. Confira:


 

Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Johann Wolfgang von Goethe

É uma coisa bastante uniforme a espécie humana. Boa parte dela passa seus dias trabalhando para viver, e o poucochinho de tempo livre que lhe resta pesa-lhe tanto que busca todos os meios possíveis para livrar-se dele. Oh, destino dos homens! – Por Layla Malvares

A Revolução dos Bichos, de George Orwell

Doze vozes gritavam, cheias de ódio, e eram todos iguais. Não havia dúvida, agora, quanto ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir, quem era homem, quem era porco – por Angélica Stefanelo

A Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente

Mais vale um asno que me carregue do que um cavalo que me derrube – por Samanta Lemos Öz

Ferreira Gullar

Como dois e dois são quatro, sei que a vida vale a pena, embora o pão seja caro e a liberdade pequena – por Jailma Araujo

Primo Basílio, de Eça de Queiroz

Tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo condizia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações! – por Mari Cardoso

Sherlock Holmes, de Sir Arthur Conan Doyle

Eu sou um cérebro, Watson. O resto é mero apêndice – por Enthony Stevie

Memórias de Minhas Putas Tristes, de Gabriel Garcia Marquéz

Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do zodíaco – por Cecys Cecys

Versos Íntimos, de Augusto Dos Anjos

Toma um fósforo acende teu cigarro, o beijo amigo é a véspera do escarro. A mão vil que te afaga é a mesma que apedreja, se alguém causa ainda pena à tua chaga, apedreja essa mão vil que te afaga, escarra nessa boca que te beija – por Josemar Peterle

6 comentários em “8 trechos de livros que mudaram a vida de nossos leitoresAdicione o seu →

  1. O Idiota, Fiódor Dostoiévski

    Ainda assim, a despeito de todo o meu desejo em contrário, nunca pude conceber a inexistência de uma vida futura e da Providência. O mais certo é que de fato existem, mas que nada compreendemos a respeito dessa vida futura e de suas leis. Já, portanto, que é tão difícil e até mesmo impossível compreender, não me cabe responsabilidade nenhuma por não ser capaz de compreender o inconcebível. Torna-se patente, dir-me-ão, e o príncipe na certa está com os que tal dizem, que devo obedecer sem raciocinar, simplesmente por piedosa crença e que naturalmente serei recompensado no outro mundo por minha humildade. Ora, estamos mais é rebaixando muito a Deus, atribuindo-Lhe as nossas idéias, compelidos pela impossibilidade de compreendê-Lo. Mas, repito mais uma vez, se é impossível compreendê-Lo, como havemos de ter uma resposta para aquilo que ao homem não é dado compreender? E, já que assim é, como posso eu vir a ser julgado por não ter capacidade para compreender a vontade e as leis da Providência?

  2. Eu não sou muito fã de livros que tem temática muito espiritual ou religiosa,mas no caso do Demian do Hermann Hesse,foi diferente.

    Primeiro ele começa nos apresentando um ponto de vista mais amplo sobre Caim:
    ” Nada mais fácil. O que houve desde o princípio, e constituiu como que o ponto originário da história, foi o sinal. Havia um homem em cujo rosto era visível algo especial, algo que atemorizava os demais. Não se atreviam a tocá-lo e sentiam medo diante dele e de seus filhos. Mas, naturalmente, o sinal que aquele homem trazia na face não era material, não era, por exemplo, como o de um carimbo dos correios; as coisas não costumavam acontecer, na vida, de maneira tão rudimentar. Tratava-se possivelmente de algo talvez sinistro, apenas perceptível, digamos um pouco mais de vivacidade e de audácia no olhar. Aquele homem era poderoso e esparzia inquietude. Tinha um “sinal”. As pessoas podiam explicar aquilo como quisessem. E sempre ‘ queremos aquilo que nos seja mais cômodo e que nos dê razão. Os filhos de Caim, marcados com o ‘sinal’ , atemorizavam os demais, e aquele sinal passou a ser explicado não como a distinção que realmente era, mas exatamente como o contrário. Passaram a dizer que os homens assim marcados eram pessoas suspeitas e ímpias, o que, na verdade, ocorria. Pois os homens corajosos, as pessoas de caráter, sempre inquietaram os demais. Tornava-se, portanto, francamente incômoda a existência de uma raça especial de homens sem medo e capazes de infundir medo aos demais, e então lhes atribuíram um apodo e uma lenda amarga para se vingarem daquela raça e justificarem de certo modo os temores sofridos… Entendes?”
    Sinclair pergunta se então era mentira a história de Caim e Abel,Demian responde:
    “Olha… seguramente foi verdade. Um homem forte matou a um outro mais fraco. Que esse fosse verdadeiramente seu irmão já é mais duvidoso. Bem, não importa: afinal de contas, todos os homens são irmãos. A crua realidade foi esta: o homem forte matou o mais fraco. Talvez tenha sido um feito heróico, talvez não. Seja como for, os outros homens fracos sentiram medo e se uniram em seus clamores contra o fratricida; mas quando lhes perguntavam por que não o prendiam ou o justiçavam, em vez de responderem ‘Porque somos uns covardes!’,respondiam:’ Impossível! Ele tem um sinal! Está marcado por Deus.’A lenda deve ter-se originado assim… Mas, estou tomando demasiadamente o teu tempo. Até a vista.”

    No próximo capítulo Sinclair lida com as consequências de uma mentira depois de sofrer amargamente durante semanas e Demian tem uma conversa com ele:
    “Quando temos medo de alguém é porque demos a esse alguém algum poder sobre nós. Por exemplo: fiz alguma coisa indevida e o outro sabe, e por isso tem poder sobre mim. Compreendes como é? Bastante simples, não?”
    E termina com:
    ” — É pena — disse em seguida — nossa experiência poderia continuar um pouco mais. Mas não quero causar-te lástima. Contudo, espero que estejas convencido de que esse medo que tens por Kromer não é nada bom. Quando o medo nos quer dominar, é necessário livrar-nos dele. Tens que livrar-te desse medo de qualquer maneira se queres ser um homem de verdade. Compreendes?”

    O livro,como o romance de formação digno que é,nos mostra o tempo inteiro o quanto é maravilhoso e de certo modo até inspirador o crescimento de Sinclair. Foi muito bom ter contato com uma “espiritualidade” que achei que não tinha,foi um momento bom ler Demian,curiosamente eu o li sem compromisso,fui atraído por uma publicação do literatortura e na época eu estava depressivo,ler esse livro do Hesse foi capaz de me oferecer uma visão mais analítica para lidar com aquela dor insuportável e às vezes sem sentido da depressão.

  3. O DESPERTAR DOS MÁGICOS

    A aventura humana tem uma finalidade.

    Não acontece ao homem o que ele merece, mas sim, o que se lhe assemelha.

    O mundo não é absurdo e o espírito humano não é de forma alguma inapto para compreendê-lo. Pelo contrário, pode ser que o espírito já tenha compreendido o mundo, mas ainda não o saiba.

    O homem é feito de mistérios e visões. O mundo exterior é pouco instrutivo, a menos que seja visto como um reservatório de símbolos com significações escondidas

    É evidente que o homem não tem conhecimento de si próprio à altura do que ele “FAZ”.

    E se não o tem é porque a organização social o priva, baseado em ideias caducas.

    No entanto, tudo nos incita a pensar que as coisas se modificarão rapidamente. Que a agitação das massas, a formidável pressão das descobertas técnicas, o movimento das idéias, a mudança dos antigos princípios, levará o homem a sentir nascer em si mesmo a “Nova Alma” e descobrirá a liberdade de “Poder ser Causa”.

    Deus criou-nos o menos possível. A liberdade de “Poder ser Causa”, quer que o homem se refaça a si mesmo.

    Temos a liberdade de vir a ser, no centro de uma eternidade que É, visão do destino humano ligado à totalidade do universo.

    Não é a primeira vez que na história da humanidade, a consciência humana é obrigada a passar de um plano para outro. E a passagem é sempre dolorosa.

    Inteligência total, consciência desperta, o homem se dirige para as conquistas essenciais, no seio deste mundo em pleno renascimento.

    Começamos a perceber, e para sempre, que para o homem reconhecer, amar e servir apaixonadamente, o universo, de que ele é o elemento mais importante, é a única razão aceitável.

    Louis Pauwels – Jacques Bergier

  4. “A opinião pública é um fraco tirano comparada à nossa opinião sobre nós mesmos. O que um homem pensa de si, é isso o que determina ou melhor indica seu destino.” Thoreau – Walden.

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