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8 livros da literatura marginal que você precisa conhecer

Para quem ainda não conhece, a Literatura Marginal nasceu em 1970 e consiste na exposição de ideias e pensamentos através do meio literário – até então dominado, em grande parte, pela elite brasileira – de escritores que moram nas periferias das grandes metrópoles.

Assim, pela escrita, autores que estiveram (e estão) à margem da sociedade nos mostram seus pontos de vista, pensamentos e os mais diversos sentimentos que rondam seu dia a dia, além da bruta discrepância racial e social que sofrem ou já sofreram.

Conheça o gênero e saiba quais obra são indispensáveis

Para quem ainda não conhece, a Literatura Marginal nasceu em 1970 e consiste na exposição de ideias e pensamentos através do meio literário – até então dominado, em grande parte, pela elite brasileira – de escritores que moram nas periferias das grandes metrópoles.

Assim, pela escrita, autores que estiveram (e estão) à margem da sociedade nos mostram seus pontos de vista, pensamentos e os mais diversos sentimentos que rondam seu dia a dia, além da bruta discrepância racial e social que sofrem ou já sofreram.

Entre os temas recorrentes, estão a violência, carência de bens e equipamentos culturais, precariedade da infraestrutura urbana, relações de trabalho e muitos outros. O Guia da Semana listou 8 obras indispensáveis do gênero que você precisa conhecer. Confira:


O COLECIONADOR DE PEDRAS

Sérgio Vaz é poeta, e, como poeta, sabe ser simples. Como simples, sabe tecer o coletivo. Como coletivo, sabe ser nós. E como nós, faz-nos grandes ao seu lado. ‘No meio de uma terra devastada pela canalhice plantada a tantos anos, alguém quer semear a poesia e certamente colherá incompreensão. Os pensamentos vadios do poeta se disseminam quando vê que subindo a ladeira mora a noite, e na margem do vento numa rua de terra ele lê a poesia dos deuses inferiores. Se outros poetas pedem silêncio, ele pede mais barulho. Se outros escritores pedem paz, ele quer guerra’.

 

CAPÃO PECADO

Rael é honesto, gosta de ler e faz planos para melhorar de vida por meio do trabalho. Seus melhores amigos não são assim tão ‘certinhos’ – alguns usam drogas, outros roubam motos, outros matam por dinheiro. O que eles têm em comum? A miséria em que vivem, a juventude, a vontade de se divertir e a revolta contra tudo que torna a vida deles ainda mais difícil – a truculência dos policiais que interrompem festas na base da porrada, o assassinato de parentes e colegas pelos motivos mais tolos, a eterna rixa entre os ‘playbas’ e o pessoal da comunidade. Ainda bem que para amenizar o sofrimento existe o sexo e o amor, como o que Rael sente por Paula. Mas no Capão todos sabem que pegar a mulher do próximo é a pior traição que se pode cometer, e Paula é namorada de Matcherros, amigo de Rael.

 

 

DA CABULA

Filomena da Cabula não agüenta mais ser empregada doméstica e passar humilhação. O patrão desdenhava de sua vontade de aprender a ler e escrever. Por isso, ela pede as contas e segue seu desejo – ter um canto pra morar e um negocinho só seu. Uma barraca para vender quinquilharias, a condução lotada e demorada e seu quarto-e-cozinha. Essa é a vida nova de dona Filó, que é movida pelo sonho de aprender a ler e escrever. Nos sonhos, ela realiza seu desejo visceral e a urgência de fazer poesia e criar uma história. Na escrita, constrói outra história para si e para seus familiares. Para Filomena, só lhe resta a liberdade vivida nessa redação imaginária, que pontua seu cotidiano. Dona Filomena da Cabula, mulher negra do povo, dona do sonho e do direito de aprender, é a protagonista desta peça teatral de Allan da Rosa.

 

GRADUADO EM MARGINALIDADE

‘Graduado em Marginalidade de Sacolinha’ no qual o protagonista perde sucessivamente pai, mãe e amigos para o crime e a corrupção policial. Ele se recusa a sucumbir ao rancor, até o momento no qual uma passagem pela prisão desencadeia uma ira que põe fogo nessa trama intercalada por cenas laterais.

 

 

OS RICOS TAMBÉM MORREM

A linguagem ágil, próxima a do rap, transforma-se em literatura. Os “causos” urbanos do cotidiano rude das cidades compõem em “Os Ricos Também Morrem” um mosaico do Brasil real. Para os fãs da verve ácida, direta e reta desse autor reconhecido em todo o mundo, este livro dá o recado: as injustiças e a desesperança moram ao lado e não do outro lado do Atlântico.

 

 

DEUS FOI ALMOÇAR

Calixto é um homem comum, mas como tantos cidadãos ele acorda cedo para fazer parte do labirinto da vida cotidiana. À noite, volta pra casa onde encontra sua mulher e sua filinha, nada mais normal. Mas não é isso que está neste livro. Sem que ele queira, tudo começa a não fazer mais sentido. Calixto parece não saber como reagir, se é que quer fazer isso. Suas tentativas logo se mostram infelizes e sua conformação incomoda, embora ele tenha a sua frente um portal para mudar tudo. Neste romance psicológico, Ferréz impressiona o leitor ao perguntar se vamos querer de fato uma mudança.

 

 

LITERATURA, PÃO E POESIA

Sérgio Vaz é um poeta autodidata da geração surgida nos anos 2000 que criou a Cooperifa – Coopertiva Cultural da Periferia. ‘Literatura, Pão e Poesia’ reúne poemas e crônicas onde o autor retrata e relata, à sua maneira, a vida do povo feliz, e guerreiro, da periferia das grandes cidades. Fala também de assuntos do cotidiano como o novo acordo ortográfico e sobre coisas do coração – seu time preferido, sua primeira cartilha, sua paixão por cinema, etc.

 

 

85 LETRAS E UM DISPARO

Os personagens de Sacolinha vivem em um mundo particular, sem aberturas, sem esperanças, sem horizontes. Vivem imersos na violência, de tal modo que a violência perdeu o sentido. O que é viver, amar? Como vêem o mundo, como se relacionam, que chances têm, com o que sonham? Muitas vezes são vazios. O desespero é muitas vezes tranqüilo, sem exaltações. Veja o crescendo do conto Yakissoba, em que o escritor tenta vender seus livrinhos e nada consegue, é só recusas, recusas, e a aceitação, como se aqueles não fossem normais. Essa gente da periferia vive o mundo do não, do não constante, o não perene, o não que segue grudado na pele, no coração.

 

 

 

 

 

Fonte: Nathália Tourais redator(a) publicado no Guia da Semana

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