7 livros infantis para discutir estereótipos em contos de fadas

7 livros infantis para discutir estereótipos em contos de fadas

Nada, nada, me incomoda mais que o velho formato das histórias infantis. Apesar de ter crescido com as produções da Disney, Branca de Neve deixou de me convencer lá pelos quinze anos, quando percebi que a fórmula criava ideais e ilusões equivocadas sobre como visualizamos o amor romântico e as interações sociais.

Como uma das metas dos textos sobre conteúdo literário e audiovisual para crianças é estabelecer uma crítica ao que está sendo produzido para nossos filhos, não consegui me isentar de abrir o diálogo sobre os contos de fadas. Pequenas histórias de Princesas trancadas em castelos, que anseiam encontrar a a salvação por seu Príncipe. Sempre delicadas, brancas, fofas e indefesas.

Não é de todo ruim, muitos deles discutem assuntos como bondade, humildade e tolerância, mas com uma velha fórmula que cria esteriótipos perigosos. Mais uma vez vou repetir a indicação do meu TED preferido até agora, onde a escritora nigeriana Chimamanda Adichie, fala sobre como pode ser prejudicial a história única, onde somos apresentados a uma única versão dos fatos, geralmente por um telespectador que não possuí conhecimento de causa, e termina por gerar esteriótipos perigosos.

Então declaro a inauguração informal da série de listas que exigem #conteúdodequalidade, porque nossas crianças merecem mais. Merecem diversidade, exemplos positivos e uma fonte de entretenimento comprometido com a qualidade, não o silêncio. Merecem menos abuso da publicidade infantil, menos sorrisos e filosofias que escondem o interesse de quantificar e vender a infância.

Então a nova lista vai ser sobre dicas de livros infantis que quebrem esse esteriótipo ou insiram a discussão sobre os velho molde dos contos de fadas, tanto para os pais, quanto para os filhos.

7 títulos para questionar e desconstruir a velha fórmula (não tão) mágica de contar histórias sobre Princesas.

Nada, nada, me incomoda mais que o velho formato das histórias infantis. Apesar de ter crescido com as produções da Disney, Branca de Neve deixou de me convencer lá pelos quinze anos, quando percebi que a fórmula criava ideais e ilusões equivocadas sobre como visualizamos o amor romântico e as interações sociais.

Como uma das metas dos textos sobre conteúdo literário e audiovisual para crianças é estabelecer uma crítica ao que está sendo produzido para nossos filhos, não consegui me isentar de abrir o diálogo sobre os contos de fadas. Pequenas histórias de Princesas trancadas em castelos, que anseiam encontrar a a salvação por seu Príncipe. Sempre delicadas, brancas, fofas e indefesas.

Não é de todo ruim, muitos deles discutem assuntos como bondade, humildade e tolerância, mas com uma velha fórmula que cria esteriótipos perigosos. Mais uma vez vou repetir a indicação do meu TED preferido até agora, onde a escritora nigeriana Chimamanda Adichie, fala sobre como pode ser prejudicial a história única, onde somos apresentados a uma única versão dos fatos, geralmente por um telespectador que não possuí conhecimento de causa, e termina por gerar esteriótipos perigosos.

Então declaro a inauguração informal da série de listas que exigem #conteúdodequalidade, porque nossas crianças merecem mais. Merecem diversidade, exemplos positivos e uma fonte de entretenimento comprometido com a qualidade, não o silêncio. Merecem menos abuso da publicidade infantil, menos sorrisos e filosofias que escondem o interesse de quantificar e vender a infância.

Então a nova lista vai ser sobre dicas de livros infantis que quebrem esse esteriótipo ou insiram a discussão sobre os velho molde dos contos de fadas, tanto para os pais, quanto para os filhos.


 

Daniel Pereira

1. A pior Princesa do mundo

Esse livro é o meu amor. Não só porque ele é lindo, tem uma arte incrível e um jeito de narrar a história de nossa Princesa de forma leve e divertida, mas principalmente porque Helena ganhou ele de um casal de amigos muito queridos. Eles não sabiam, mas quem precisava ler essa história era a mãe.

A história é da fantástica Anna Kemp, que tem mais dois livros publicados, e a arte pertence a Sara Ogilve, uma ilustradora com um estilo lindo, tendo também sido a responsável pela arte do livro My mother is a Troll. A narrativa usa de rimas e conversas inteligentes, sendo um dos poucos livros infantis que li que usa essa fórmula com muita precisão.

O livo nos conta a história de Soninha, uma princesa que tem aguardado impacientemente sua vez nos Contos de Fadas; até que um dia ela finalmente se cansa e decide optar por uma vida com mais aventura. Vai viver de forma radical, até que encontra numa das esquinas da vida o superestimado Príncipe Encantado, só para perceber que ele não passa de um bobão. No fim, Soninha continua suas aventuras, não com o Príncipe, mas com o Dragão! I.S.B.N.9788577532483

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2. Pretinha de Neve e os sete gigantes

“Tacho de cobre, tacho de cobre, existe alguma menina mais solitária do que eu?” Escrito por Rubem Filho, esse é um daqueles livros infantis que não só desconstrói personagens que estão enraizados na nossa história, como também faz uma releitura da fórmula antiga dos contos dos fadas, trazendo elementos que valorizam a cultura africana e a reflexão sobre solidão e coragem. A arte é muito boa, cheia de elementos originais e cores vivas.

A história narra as aventuras de Pretinha, que mora no Monte Kilimanjaro, situado no norte da Tanzânia. Lá faz muito, muito frio, soterrando seus habitantes em neve. Sim! Neva na África, gente. A mãe de Pretinha se tornou viúva e se casou com um Rei muito do chato, que só quer saber de doces, deixando a menina completamente sozinha. Um dia, em meio a solidão, ela pergunta para o Tacho mágico se existe alguém mais solitária do que ela, e assim começa a aventura. Decidida a não se sentir mais assim, Pretinha foge do Castelo, onde irá encontrar situações inusitadas e sete gigantes, não anões. ISBN: 978-85-356-3440-2

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3. Uma Chapeuzinho Vermelho

Imagine a história assim: Chapeuzinho Vermelho está lá, feliz da vida, andando pela floresta. Daí ela encontra o Lobo, aquele que apavorou tantas crianças e ensinou de forma meio atrapalhada que não devemos falar com estranhos; quando tudo começa. Você pensa: mesma história batida. Mas é aí que nossa Chapeuzinho dá um olé na vida, no leitor e no Lobo, sendo uma menina curiosa, ousada e muito esperta.

O livro é fofo. As ilustrações parecem que foram feitas por uma criança, o que sempre me deixa feliz, já que acontece aquela sintonia. A construção do enredo é muito bom, tendo sido escrito pela francesa Marjolaine Leray, autora de vários outros livros lindos. ISBN: 9788574065281

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4. A Princesa e a Ervilha

Durante dez anos a autora Rachel Isadora percorreu países africanos para criar está adaptação do clássico de Hans Christian Andersen, que também ganhou sua versão da Disney em A Princesa e o Sapo.

E apesar de a história do dinamarquês me incomodar com a abordagem, a mensagem é realmente ótima: as pequenas coisas que nos incomodam, tiram o sono, importam e devem ser combatidas.

Nessa adaptação, temos nosso Príncipe africano em busca da verdadeira Princesa para se casar; e um dia, durante suas andanças, acaba por encontrar em sua porta uma moça que afirma ser uma Princesa, apesar de estar toda molhada da chuva e pouco apresentável. Para testa-la, é colocada uma ervilha por baixo de 24 colchões. No outro dia a Princesa é questionada se dormiu bem, e ela admite que na verdade dormiu mal, havia algo incomodando-a.

Todas as ilustrações coloridas e muito bem produzidas nos mostram animais, vestimentas e costumes africanos, quebrando o esteriótipo de Princesas loiras, pálidas e com vestidos que mais parecem glacê de bolo. ISBN: 9788562525599

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5. Príncipe Cinderelo

“O Príncipe Cinderelo, nem parecia Príncipe! Era baixinho, sardento, magricelo e andava mulambento!”

Nosso Príncipe, na história da fantástica Babette Cole, tem três irmão peludos, enormes e que adoram uma boa festa. A fada é bem destrambelhada e com pouco apreço por higiene, e nas suas tentativas de enviar o Príncipe para a festa, acaba por transforma-lo num macaco enorme e peludo. E assim acontece a história, cheia de boas sacadas para a fórmula da Gata Borralheira.

Esse é o meu segundo livro preferido, porque ele brinca e desestrutura completamente o conto de fadas, colocando o Príncipe em situações inimagináveis, como ao invés de esquecer o sapatinho de cristal, esquecer a calça jeans surrada enquanto fugia da Princesa.

Babette Cole é uma das minhas escritoras preferidas e recomendo qualquer livro dela. Aliás, por mim fazia uma lista só dela e comprovava meu amor. ISBN: 8533612923

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6. A Princesa Sabichona

Nossa Princesa não quer saber de marido, Príncipes, festas ou vestidos, ela só quer viver suas aventuras, discutir ideias e viver no Castelo com seus animais. Seria uma realidade justa, se o Rei e a Rainha não acreditassem que sua escolha fosse um tanto incomum, e desaconselhável; então, decidem apresentar os Príncipes, na esperança que nossa heroína, quem sabe, goste de algum.

Seria fácil, se essa Princesa não fosse um tanto mais que esperta e não desse tarefas impossíveis para a realeza que ousasse tentar desposa-la.

Mais uma obra incrível da escritora inglesa Babette Cole, que além de ser feminista, ensinam a todos que casamento é uma escolha, jamais uma imposição. E tudo bem querer viver com os gatos, jacarés e passarinhos! ISBN: 85-3360-920-5

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7. A Princesa que queria ser Rei

Este é um livro que acredito, pois pesquisei muito, não ter sido publicado ainda no Brasil. Li num café na Avenida Paulista enquanto esperava o horário de uma reunião, então acredito que quem quiser adquiri-lo, seria aconselhável buscar em sebos ou importar por sites portugueses que entreguem por aqui.

“[…] Não, não era bem a filha de que os pais estavam à espera, longe disso. Desde logo, quando nasceu, já era diferente de todas as outras crianças, uma pequena bola envolta em tanto pêlo que até os físicos ficaram espantados.- Rainha – disseram eles quando o silêncio se tornou demais embaraçoso – a princesa é um bocadinho peluda. Mas de resto – acrescentaram- é perfeita como uma flor. […]”

Essa história conta a luta de uma princesa enorme, peluda, forte e linda, que sonha assumir o lugar do pai como Rei. Mas sua família além de não acreditar em seu potencial, acha que o posto só pode ser assumido por um homem, vendo com horror o esforço da filha de se tornar mais resistente e capaz.

Eis que a autora, Sara Monteiro, narra a jornada da Princesa que quer provar ser não só tão capaz quanto um homem, como ainda melhor para assumir o posto de Governo do reino que tanto ama.

Gente, é lindo, simples assim.

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