5 livros essenciais sobre o Japão

5 livros essenciais sobre o Japão

Visão de fora, visão de dentro: uma lista que agrada a todos. O Japão sob diversos olhares.

Visão de fora, visão de dentro: uma lista que agrada a todos. O Japão sob diversos olhares.


1- Musashi de Eiji Yoshikawa

Este romance épico baseado diretamente na história japonesa narra um período da vida do mais famoso samurai do Japão, que viveu presumivelmente entre 1584 e 1645. Musashi é a obra literária mais vendida da história do Japão – mais de 120 milhões de exemplares em suas diversas edições, além de cerca de 15 versões cinematográficas ou televisivas. Seus principais personagens passaram a integrar o cotidiano, e a obra tornou-se livro de cabeceira e guia da arte de viver para gerações de japoneses.

2- Xógum de James Clavell

‘Xógum’ é uma saga sobre o universo mítico dos samurais e das gueixas, numa trama que une política, religião, guerra e romance. Ambientado nos anos 1600, época das grandes navegações e das conquistas de novos mundos, o livro narra a trajetória do piloto inglês John Blackthorne.

Depois de quase dois anos embarcado no navio Erasmus, ele aporta na costa do Japão dividido diante da disputa pela posição de Xógum, a mais importante autoridade militar do país. Em meio a intrigas e traições, Blackthorne se aproxima do poderoso senhor feudal Toranaga, tomando parte em um intrincado jogo de poder entre as forças conflitantes da época- daimios, samurais, jesuítas e comerciantes. Com o tempo, uma estranha relação de confiança se estabelece entre os dois homens e uma paixão proibida nasce entre o inglês e sua intérprete, Mariko. Casada com um dos mais cruéis capitães do feudo, ela se vê dividida entre suas obrigações, suas crenças e seus sentimentos.

3- Kafka à Beira-Mar de Haruki Murakami

Como os outros romances de Murakami, este também traz elementos fantásticos. A história conta com dois protagonistas: o adolescente Kafta Tamura, que foge da casa onde vive com o pai para encontrar a mãe e a irmã, e o deficiente mental Satoru Nakata, um homem de sessenta anos que tem a habilidade de falar com gatos. As duas histórias são contadas de forma paralela, alternando-se ao longo dos capítulos, até convergirem no final.

A vida de Kafka Tamura é narrada pelo próprio, que vive sozinho com o pai em Tóquio há mais de dez anos, desde que sua mãe saiu de casa, sem dizer uma palavra, levando sua irmã mais velha com ela. Kafka ainda era um menino quando ouviu seu pai lhe dizer: “Um dia você irá matar o seu pai e dormir com sua mãe.” É para fugir desse destino e evitar que as palavras de seu pai se tornem realidade que o menino, já adolescente, resolve fugir de casa e ir ao encontro da mãe.

Embora a jornada de Kafka seja imediatamente associada à tragédia grega, Haruki Murakami esclarece que o mito de Édipo é apenas um dos muitos temas, e não necessariamente o ponto central do romance: “Desde o início eu tinha a intenção de escrever sobre um rapaz de quinze anos que foge da casa de um pai sinistro e parte em busca da mãe. Essa história se conectava naturalmente ao mito de Édipo. Mas, ao que eu me lembre, não o tinha em mente ao começar. Mitos são os protótipos de todas as histórias. Quando escrevemos uma história criada por nós mesmos, é impossível que ela não tenha ligações com mitos de todos os tipos. Eles são como reservatórios que contêm todas as histórias possíveis.”

Uma das vozes mais talentosas da ficção contemporânea, Murakami costuma dizer que escrever se parece com sonhar: “E escrever um romance me permite sonhar acordado intencionalmente. Posso continuar hoje o sonho de ontem, o que normalmente não acontece na vida real. Portanto, embora seja sonho, não é fantasia. Para mim, o sonho é muito real.”

4- Biografia Mangá de Osamu Tezuka

O livro é uma biografia, e conta o começo da vida de Osamu Tezuka, autor de mangás e animês que conjuga características raras de se ver em um artista: é pioneiro de diversas técnicas, revolucionou uma linguagem e, depois disso e de tantos anos, continua ostentando o título de ser o maior de sua arte.

5- O Japão de Aluísio de Azevedo

É um dos livros menos conhecidos do autor, provavelmente escrito enquanto esteve em serviço como vice-cônsul em Yokohama, no Japão, entre 1897 a 1899. Foi publicado em 1984, a partir de manuscritos encontrados na Academia Brasileira de Letras. Com apenas três décadas de atraso em relação à inauguração da Era Meiji, o autor pôde colher de fontes ainda recentes, dados que viriam a compor a sua visão sobre as transformações econômicas, sociais e políticas que sacudiram décadas antes a sociedade japonesa, após a abertura forçada ao ocidente pela chegada do estadunidense Comodoro Perry e sua força naval às costas japonesas com uma “carta de amizade” exigia do país a abertura imediata de seus portos às nações estrangeiras, extraterritorialidade para seus patrícios (no que foi seguido por Itália, Inglaterra, entre outras nações imperialistas ocidentais), entre outras benesses, sob pena implícita de ataque ao país. É um livro que, apesar de certas limitações concernentes à vertente literária para uma análise histórica, além de alguns erros, serve de referência a todos que tiverem interesse em lê-lo como literatura complementar do final do período do shogunato Tokugawa, dando uma dimensão de alguns motivos pelos quais o Japão foi retirado de seu isolacionismo para forçosamente aderir ao capitalismo, aos desregramentos sociais mais característicos na Europa e Estados Unidos daquela época e finalmente lançando-se ao imperialismo no oriente como forma de igualar-se aos seus rivais ocidentais, numa tentativa de preservar a integridade nacional.

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