21 grandes livros publicados em 2016 no Brasil

Compartilhe:

Guilherme Sobota, no Estadão

As listas de melhores do ano são quase sempre injustas, ainda mais quando são individuais, como essa. Por isso, selecionei 21 livros que li este ano entre a montanha de bons lançamentos que o mercado soltou desde o início de 2016 – por força do ofício, as leituras se concentraram entre ficção, biografias e quadrinhos, portanto a lista vai nessa pegada também.

Dicas para quem estiver procurando o que ler por aí, em ordem alfabética pelo título (e abaixo, mais uma listinha com outros que valem a pena, ou que foram reeditados, como a incrível Obra Completa, do Raduan Nassar).

CIDADE EM CHAMAS

Autor: Garth Risk Hallberg. Trad.: Caetano W. Galindo. Editora: Companhia das Letras (1.040 págs., R$ 69,90).

A enorme repercussão que o livro teve nos EUA talvez tenha enevoado seus méritos inegáveis. Escrito por um jovem e ambicioso escritor americano (são mais de mil páginas, ora), o livro tem uma estrutura interessante e narra um ano na vida de vários personagens na Nova York dos anos 1970: cenário irresistível, cujas questões ecoam, ainda, por todo canto. Leia mais.

Cidade

COMO SE ESTIVÉSSEMOS EM PALIMPSESTO DE PUTAS

Autora: Elvira Vigna. Editora: Companhia das Letras (216 págs., R$ 44,90).

O melhor livro de Elvira Vigna até aqui é também o livro do ano no Brasil. Os livros de Elvira não são explicitamente políticos, mas, entre as camadas que se formam com a habilidade da escritora em narrar, existe, implícita, uma maneira muito única de ler as relações interpessoais, necessariamente políticas. Leia mais.

Como

 

DETETIVE À DERIVA

Autor: Luís Henrique Pellanda. Editora: Arquipélago (224 págs., R$ 39,90).

Os textos de Detetive à Deriva revelam um observador profissional e quase obsessivo com o seu ambiente urbano – as ruas e praças servem de trampolim para olhares para a própria cidade, mas também para a família, para a política, para o amor, para a morte.Leia mais.

Detetive

ENCLAUSURADO

Autor: Ian McEwan. Tradutor: Jorio Dauster. Editora: Companhia das Letras (200 págs.,R$ 39,90).

O narrador do novo livro do escritor britânico Ian McEwan é um intelectual humanista, racional, um virtuoso enólogo amante de uvas pinot noir. Ele está envolvido no clássico plot de Hamlet: sua mãe e o irmão de seu pai planejam a morte do progenitor. Ele deve agir. O problema é a sua condição de feto: “Então aqui estou, de cabeça para baixo, dentro de uma mulher”, começa o narrador. Leia mais.

Enclausurado

ENTRE UMAS E OUTRAS

Autora: Julia Wertz. Tradução: Eduardo Soares. Editora: Nemo (208 págs., R$39,90).

O divertido quadrinho da norte-americana Julia Wertz é um dos bons representantes da vertente autobiográfica das HQs escritas por mulheres. Aqui, ela é uma jovem adulta que se muda de São Francisco para Nova York, com um humor muito ácido e autodepreciativo. Uma beleza.

Entre

EU ESTOU VIVO E VOCÊS ESTÃO MORTOS

Autor: Emanuel Carrère. Tradução: Daniel Luhmann. Editora: Aleph (360 págs., R$49,90)

O livro publicado pela primeira vez no Brasil é uma biografia, digamos, heterodoxa: em vez de fuçar arquivos, documentos e decupar centenas de entrevistas, Carrère reconstruiu a vida do escritor norte-americano Philip K. Dick com base em uma biografia previamente publicada e no trabalho de ficção de Dick, além de um grupo pequeno de entrevistados. Leia mais.

EuEstou

HIP HOP GENEALOGIA

Autor: Ed Piskor. Tradutor: Mateus Potumati. Editora: Veneta, selo Sumário de Rua (128 págs., R$99,90).

O cenário desperta paixões em fãs de música do mundo todo: a Nova York dos anos 1970, nesse caso, o deteriorado South Bronx, berço da cultura que no fim virou milionária, luxuosa e explosivamente criativa: o hip hop. O surgimento do gênero é retratado nos quadrinhos do norte-americano. Leia mais.

Hiphop

I’M YOUR MAN – A VIDA DE LEONARD COHEN

Autora: Sylvie Simmons. Tradutora: Patrícia Azeredo. Editora: BestSeller (504 págs., R$79,90).

No ano em que o perdemos, a BestSeller trouxe para o Brasil a detalhada e sensível biografia que Sylvie Simmons escreveu sobre Leonard Cohen. Com extensa colaboração do mesmo e entrevistas com boa parte das pessoas importantes que cercaram a carreira brilhante de Cohen, Simmons não se limita a relatar a vida maluca do cantor e escritor, mas oferece insights muito pertinentes sobre a obra dele. Leia mais.

ImYourMan

IMAGERIA – O NASCIMENTO DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS

Autor: Rogério de Campos. Editora: Veneta (360 págs., R$ 149,90).

O livro foi lançado no fim de 2015, mas vale a recuperação: a edição de luxo passeia pela história dos quadrinhos e publica pela primeira vez no Brasil diversas raridades, por exemplo, trechos de Histoire de M. Jabot, uma série hilária da década de 1830, de Genebra, do suíço Rodolphe Töpffer. Leia mais.

Imageria

LINHA M

Autora: Patti Smith. Tradutor: Claudio Carina. Editora: Companhia das Letras (216 p., R$39,90, R$27, 90 o e-book).

O grande trunfo do segundo livro de Patti Smith é justamente ser inclassificável: uma ode à solidão, um diário de viagem, um relato de suas peregrinações pelos túmulos de autores amados e pelos cafés do mundo, um delicado memorial de seus parentes mortos e, até mesmo, um livro de memórias. O acerto do livro é diametralmente oposto ao de Só Garotos – e é nessa busca contínua pelo diferente que residem os grandes artistas. Leia mais.

LinhaM

OS PESCADORES

Autor: Chigozie Obioma. Tradutor: Claudio Carina. Editora: Globo Livros (270 págs., R$ 39,90).

O escritor nigeriano Chigozie Obioma vai completar 30 anos em 2016: tempo suficiente para ele escrever e publicar este romance, ser traduzido para 24 idiomas e receber resenhas positivas em vários jornais do mundo. O livro mostra como quatro irmãos da família Agwu – pacíficos, unidos e amigos, que começam o livro pescando juntos em um rio da região de Akure (316 km de Lagos) – passam a viver no caos que é instaurado em suas vidas depois da profecia de um “louco” chamado Abulu. O romance serve como uma grande parábola do seu próprio país – e é incrível notar como essa história se aproxima do Brasil. Leia mais.

OsPescadores

Menções honrosas: Obra Completa, de Raduan Nassar (Companhia das Letras), A Filha Perdida, de Elena Ferrante (Intrínseca), Born to Run, de Bruce Springsteen (LeYa), O Homem sem Doença, de Arnon Grunberg (Rádio Londres), Zonzo, de Joan Cornellà (Mimo), Vozes de Tchernobil, de Svetlana Aleksievitch (Companhia das Letras), A Vida Não Tem Cura, de Marcelo Mirisola (34), Bukowski – Vida e Loucura de um Velho Safado, de Howard Sounes (Veneta), O Tribunal da Quinta-Feira, de Michel Laub (Companhia das Letras), Receita Para Se Fazer Um Monstro, de Mário Rodrigues (Record).

 

(Visited 372 times, 1 visits today)
Compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *