10 livros assustadores para virar a noite acordado

10 livros assustadores para virar a noite acordado

Em uma entrevista recente ao HuffPost, R.L. Stine, autor da série de livros de terror Goosebumps (alguns publicados pelas editoras Abril e Fundamento), disse que muitos medos são “universais” e que, pelo menos para ele, com uma íntima ligação com o humor. “É aquela mesma reação gutural”, disse.

Ao contrário de Stine, nunca associei assustador com engraçado — minha reação gutural ao ler um livro assustador é me fixar nas imagens invocadas de suas páginas enquanto rolo na cama, incapaz de dormir.

O primeiro livro que fez meu coração disparar mais rápido do que um bom exercício de cardio foi The Witches of Worm, de Zilpha Keatley Snyder (ainda não publicado no Brasil), que escutei no audiolivro enquanto pegava carona na prática de natação.

Um narrador descrevia um pequeno gato, que parecia um verme se contorcendo, possuído. Eu mesma me senti possuída, incapaz de parar de pensar em um animalzinho aparentemente impotente, mas na verdade maldoso.

Esse é o poder de livros assustadores: um personagem chamado Verme poderia parecer uma farsa em um filme, mas o livro de Snyder, um clássico da literatura para jovens adultos, descreve os sentimentos de ansiedade daqueles afetados pelo animal — e, para mim, isso é mais assustador do que palhaços e monstros saindo dos cantos de uma casa.

Então, ainda no espírito do Halloween, selecionei alguns livros que são psicologicamente assustadores de uma maneira que os filmes de terror não conseguem ser.

Publicado no Brasil Post

Leitores, atenção.

Em uma entrevista recente ao HuffPost, R.L. Stine, autor da série de livros de terror Goosebumps (alguns publicados pelas editoras Abril e Fundamento), disse que muitos medos são “universais” e que, pelo menos para ele, com uma íntima ligação com o humor. “É aquela mesma reação gutural”, disse.

Ao contrário de Stine, nunca associei assustador com engraçado — minha reação gutural ao ler um livro assustador é me fixar nas imagens invocadas de suas páginas enquanto rolo na cama, incapaz de dormir.

O primeiro livro que fez meu coração disparar mais rápido do que um bom exercício de cardio foi The Witches of Worm, de Zilpha Keatley Snyder (ainda não publicado no Brasil), que escutei no audiolivro enquanto pegava carona na prática de natação.

Um narrador descrevia um pequeno gato, que parecia um verme se contorcendo, possuído. Eu mesma me senti possuída, incapaz de parar de pensar em um animalzinho aparentemente impotente, mas na verdade maldoso.

Esse é o poder de livros assustadores: um personagem chamado Verme poderia parecer uma farsa em um filme, mas o livro de Snyder, um clássico da literatura para jovens adultos, descreve os sentimentos de ansiedade daqueles afetados pelo animal — e, para mim, isso é mais assustador do que palhaços e monstros saindo dos cantos de uma casa.

Então, ainda no espírito do Halloween, selecionei alguns livros que são psicologicamente assustadores de uma maneira que os filmes de terror não conseguem ser.


 

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The Witches of Worm, de Zilpha Keatley Snyder

Jessica compra um gatinho nanico — uma criatura minúscula que sua vizinha a ajuda a tratar. Adorável, certo?

NÃO. ERRADO. Não há nada adorável sobre essa história. Jessica dá o nome de Verme para o gato, o que já é um mau sinal.

Então, exatamente depois de comprar o mencionado gatinho, Jessica começa a praticar atos cada vez mais violentos contra sua família. Ela não sabe dizer se são os rancores enterrados contra sua mãe bizarra que a estão fazendo agir dessa maneira, ou se o seu comportamento anormal é devido ao fato de que está possuída pelo gatinho que, por sua vez, está possuído por um bando de bruxas.

Tudo bem que esse livro está focado em uma criatura peluda, mas é assustador o suficiente ao ponto de ter sido proibido nas bibliotecas escolares.

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Broken Monsters, de Lauren Beukes

Como sugerido pela capa, o romance de terror de Beukes (não publicado no Brasil) lembra de certa forma a série de TV True Detective na primeira temporada, para ser mais clara (há uma morte a ser esclarecida).

No livro, um detetive se depara com uma cena estarrecedora — o corpo de uma vítima parece ter sido juntado com partes de um animal, fazendo com que o morto seja parte homem e parte criatura da floresta. Você não vai ouvir muitas reflexões filosóficas à la Rust Cohle — o detetive da série True Detective — neste livro, mas há uma camada extra na história que alimenta a trama: a filha do detetive está ocupada conversando com o suposto assassino on-line.

A história se passa em Detroit, e os personagens, assim como a cidade, tentam bravamente se proteger frente ao perigo.

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Diário, de Chuck Palahniuk (Editora Rocco)

A falta de plausibilidade desta história é compensada pelas fantásticas reviravoltas e — se você estiver a fim — cenas muito enérgicas e assustadoras.

A aspirante a artista Misty Marie Wilmot desiste de seus sonhos criativos e se muda para uma pequenina ilha para criar a filha em companhia do marido, Peter. Seu trabalho de garçonete definitivamente a deixou para baixo, mas as coisas ficam muito, muito piores quando Peter entra em coma depois de uma tentativa de suicídio.

Peter trabalha no setor de construção e deixou mensagens horríveis escondidas dentro das casas que construiu, e os proprietários começam a processar Misty à medida que tomam conhecimento do fato. Essa nem é a pior parte: Misty logo depois descobre que o fato de sua casa estar na ilha Waytansea não é coincidência, mas faz parte de uma estranha teoria da conspiração que começou há várias gerações.

O livro, como o próprio título diz, é escrito em formato de diário, o que proporciona um ar sobrenatural aos acontecimentos misteriosos, ao estilo do conto O Papel de Parede Amarelo. Misty se sente num beco sem saída, e o leitor tem acesso a todos seus pensamentos inquietos durante sua tentativa de escapar da situação.

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Threats, de Amelia Gray

O romance de Gray (ainda não publicado no Brasil) não se propõe a ser um livro de terror, mas uma análise sobre o quão alienadora pode ser a experiência do luto.

A esposa de David, Franny, morreu, mas ele não sabe por que ou como. Tudo o que sabe é que não consegue raciocinar direito e continua encontrando peças misteriosas em papéis espalhados pela casa, contendo fortes e perturbadoras ameaças, até um pouco surreais. David contrata um detetive para investigar o caso, mas que não ajuda muito.

A capacidade de Gray de empacotar até as frases mais curtas com uma densa emoção torna este livro uma leitura espasmódica, quase saltitante.

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Voices in the Night, de Steven Millhauser

As histórias de Steven Millhauser são atemporais: embora sua coleção tenha sido lançada relativamente há pouco tempo (ainda não publicada no Brasil), os momentos de terror no centro delas não são engrenados sobre falhas tecnológicas ou tendências das redes sociais.

Em vez disso, examinam a maneira pela qual a fofoca viaja em pequenas cidades, contando a história de uma sereia que apareceu na praia, ou a erupção perturbadora de suicídios. Em uma história particularmente interessante, um homem compra um limpa-vidros de um caixeiro-viajante e torna-se obcecado com a imagem de sua mulher no espelho, e não com sua pessoa, o que abala o casamento.

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O Colecionador, de John Fowles (Editora Abril)

Em uma passagem mega assustadora, Fowles conta a história de uma estudante de artes, Miranda, que é capturada por um homem que a estava seguindo, e a força a morar num quarto preparado para satisfazer aos desejos dela. O homem, Frederick Clegg, ganhou uma pequena fortuna em apostas em jogos de futebol e usa o dinheiro para ascender socialmente.

O livro é narrado primeiro sob o ponto de vista dele, e depois sob a visão de Miranda, que escreve um diário para registrar seus planos e tem esperanças de escapar. O livro pode ser mais metafórico do que qualquer outra corajosa história de um crime real, mas isso não desmerece a astuta construção de Fowles sobre a sensação de confinamento.

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Uma Sombra Passou por Aqui, de Ray Bradbury (Editora Record)

As histórias em Uma Sombra Passou por Aqui estão ligadas apenas pelo fato de que cada uma é representada por uma tatuagem em um homem cuja pele está completamente pintada (uma imagem que antes era menos comum entre cidadãos que não estão fantasiados para o carnaval).

Algumas delas podem ter sido lidas em aulas de literatura nos colégios, mas encontram mais ressonância em episódios da séries de TV Black Mirror ou Além da Imaginação. Em uma delas, duas crianças viciadas em sua extremamente imersiva sala de TV trazem as cenas da tela para a vida real.

Em outra história, um grupo de homens aterrissa em um planeta atingido por uma chuva interminável e sufocante. O atrativo dessa história é que o medo infiltra-se lentamente, como o que deve ocorrer com o sentimento de medo real ou paranoia.

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Blind Date, de R.L. Stine

Crianças que cresceram lendo a série Goosebumps nos anos 90: é hora de pegar o diploma dos livros de terror para adolescentes e adultos de R.L. Stine — histórias destinadas a assustá-lo muito e de verdade, em vez de apenas dar um chacoalhão, mas com uma rede segura sempre disponível, para lembrá-lo que o livro é só um livro.

Stine tem um novo livro de terror chamado The Lost Girl (A Garota Perdida), e que você pode ler em algumas horas, mas é melhor começar com o primeiro romance de terror escrito por ele — Blind Date (não publicado no Brasil).

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O Estranho Mundo de Zofia e Outras Histórias, de Kelly Link (Editora Leya)

Você provavelmente não vai perder o sono lendo as histórias de Kelly Link, embora elas também tragam um elenco de personagens estranhos, incluindo mutantes, feiticeiros e criaturas esquisitas.

Em A Bolsa Mágica, uma mulher descobre que uma bolsa contém um vilarejo inteiro, com suas tragédias e costumes.

Os personagens de Link são estranhos, mas em sua maioria corajosos, e suas monstras não incorporam os clichês estereotipados contra as mulheres. Em vez disso, são agentes empoderadoras em seus mundos bizarros, que valem a pena ser explorados.

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Hemlock Grove, de Brian McGreevy (Editora Leya)

Antes de se tornar um programa no Netflix, a história de terror de McGreevy era um romance estrelando lobisomens e também alguns ciganos.

Em uma pequena cidade que parece ter saído diretamente de um filme de David Lynch, os moradores estão se voltando uns contra os outros depois do trágico fechamento de uma siderúrgica.

Se a inspiração ao estilo de Twin Peaks não for suficiente para você, a morte de uma adolescente leva a uma série de acusações, especialmente contra Peter, suspeito de ser um lobisomem. (Alerta de spoiler: totalmente lobisomem).

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